Tal como aconteceu há 40 anos, Portugal terá uma segunda volta para escolher quem será o seu próximo presidente da República. E tal como na altura, mas desta vez sem a expressão «engolir sapos», o PCP apelou ao voto em Seguro para impedir a eleição de André Ventura para o Palácio de Belém. Para além dos apoios dos partidos de esquerda, como é o caso do Livre, vários notáveis, tanto do PSD como do IL, também demonstraram o seu apoio a Seguro. O que deixa Ventura estupefacto. Os socialistas europeus, através da voz de Iratxe García Pérez, pediu a “todos os democratas” votem em Seguro». Pois representa a liberdade conquistada com o 25 de Abril de 1974. Seguro, que também é produtor de vinho, acredita que o apelo dos democratas (dentro e fora de Portugal) já «estar a ser bem-sucedido». Um antigo presidente da República, o social-democrata Cavaco Silva, também já demonstrou o seu apoio pelo candidato que avançou antes de ter o apoio formal do seu partido político.
O Bloco de Esquerda criticou o PSD e o IL por não se colocarem abertamente ao lado da candidatura protagonizada por Seguro. A CGTP também pediu uma rejeição à candidatura de Ventura. A campanha para a segunda volta ainda mal começou e Ventura já desafiou Seguro para três debates e acusa o socialista de fugir ao confronto. Outros candidatos já tinha descrito Seguro como passivo e no seu período como secretário-geral do PS, um programa humorístico da RTP criou uma novela em que dizia que Seguro tinha que tomar medicação (a sua mulher era farmacêutica) para ter alguma vivacidade. António Costa, que saiu da autarquia de Lisboa para o desafiar pela liderança do PS, declarou que tinha votado no antigo concorrente e que vai repetir este sentido de voto na futura segunda volta.
Mesmo tendo uma base de apoiantes vasta, André Ventura também tem muitas pessoas de direita que não votam nele. Estas pessoas preferem «o voto útil» no Seguro ou pura e simplesmente não exercerem o seu direito de voto por acharem que nenhum dos candidatos os representam. Mesmo que a abstenção tenha descido nestas eleições, as mais concorridas da história, cinco dos dez concelhos com uma maior taxa de abstenção estão no arquipélago dos Açores. Será que podemos explicar isto pela insularidade que faz com que sintam o que passa em Lisboa muito longe?
O ainda ocupante deste espaço, Marcelo Rebelo de Sousa, considera que os portugueses têm «uma ideia muito clara» sobre os dois candidatos. O socialista Seguro e o criador do partido Chega, Ventura.
No dia em que Portugal e Espanha celebraram os 40 anos da entrada conjunta na União europeia, Marcelo Rebelo de Sousa avisou que aqueles que usam a força para dividir hemisférios (clara indireta a Trump) irá falhar. Podemos dizer o mesmo na política. Marcelo Rebelo de Sousa ainda sabe quem será o seu sucessor e mesmo tendo que trabalhar mais um mês, já que a segunda volta das presidenciais apenas vai acontecer a 8 de Fevereiro, garante que vai «cumprir a sua missão até ao fim» mas está pronto para o «próximo capítulo na sua vida». Que deverá passar por Los Ángeles, onde deverá voltar a dar aulas e poderá acompanhar de perto não só os jogos do Campeonato do Mundo mas também os Jogos Olímpicos.
Logo depois de ter sido anunciado que haveria uma segunda volta, entre os candidatos António José Seguro e André Ventura, a PJ anunciou que estava a investigar o grupo neonazi 1143 (alguns dos seus membros simpatizam com o discurso de Ventura). Segundo a polícia, este grupo preparava-se para «passar das palavras aos atos» em atos que podemos descrever como guerrilha urbana.
O presidente de saída, Marcelo Rebelo de Sousa, reforçou, em Bruxelas, que não existem «portugueses puros mas diversos». O que também podemos assistir nestas eleições, em que nas mesas de voto encontrávamos brasileiros (com dupla nacionalidade), luso-iranianos que falaram sobre o que estava a acontecer em Teerão na campanha de Gouveia e Melo ou portugueses com raízes asiáticas (como é o caso do próprio António Costa, já que a mãe é uma mulher meio alourada e o pai era de Goa).
O primeiro-ministro afirmou que não irá apoiar nenhum candidato na segunda volta e o PSD acusa o Chega de contradição por querer o apoio de Montenegro a candidatura de Ventura. Apesar das dificuldades que o SNS está a enfrentar, Luís Montenegro nega que estejamos a viver num caos. Seguro pede atitudes do governo para que os portugueses «tenham saúde a tempo e horas».
Andreia Rodrigues

