António José Seguro sucede a Marcelo Rebelo de Sousa como o novo presidente da República de Portugal

O raiano, e apesar das tempestades, teve mais de 60% dos votos nas segundas eleições mais concorridas do último meio século

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Gráfico de proyección electoral con António José Seguro y André Ventura
En esta imagen se muestra un gráfico de proyección electoral donde António José Seguro se presenta como el candidato con mayor apoyo en las elecciones presidenciales de Portugal. La imagen destaca los porcentajes de votos proyectados para Seguro y su oponente, André Ventura. A pesar de las adversidades climáticas, la participación electoral ha sido significativa, reflejando el compromiso de los ciudadanos con la democracia.

O socialista António José Seguro é o presidente eleito da República de Portugal com a possibilidade de chegar aos 70%, segundo as sondagens à boca de urna. Natural de Penamacor, vila raiana que vitoriou a eleição do «filho da terra», o político de 63 anos foi ministro socialista, mas o seu perfil moderado permitiu-lhe obter apoios da esquerda e da direita. André Ventura terá 35,8% dos votos.

A democracia foi chamada a votar numa segunda volta, algo que já não acontecia há 40 anos. Todos os líderes políticos, da esquerda à direita, apelaram ao voto para que o futuro não fique na mão de outros. Um dos candidatos, André Ventura, esperou que todos tivessem votado e lamentou que não se tenha feito o que propôs: adiar as eleições por uma semana. Rui Tavares apelou ao voto «por aqueles que não puderam votar». José Luís Carneiro também expressou a sua solidariedade para com aqueles que perderam tudo devido às depressões Kristin ou Leonardo. O mau tempo não afastou os eleitores das urnas, que decidiram honrar o seu compromisso com Portugal e com a República.

Alguns concelhos só irão votar no dia 15 de fevereiro. Para quem está sem luz ou água, as eleições tornaram-se secundárias. O presidente cessante, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou que votar é sempre importante e que o seu sucessor terá um trabalho ainda mais difícil do que o seu, que enfrentou os grandes incêndios e a pandemia de COVID-19. Em Ereira (Montemor-o-Velho), os votos foram transportados de bote, na penumbra, pelos fuzileiros. A democracia funciona apesar das dificuldades.

Tanto o PAN como os portugueses que votaram no estrangeiro pediram mudanças para garantir o direito de voto a todos, possivelmente através do voto eletrónico. Ao contrário das legislativas, não é possível o voto postal e as pessoas são obrigadas a deslocar-se às embaixadas para votar.

O mandato presidencial tem a duração de 5 anos e todos os presidentes da democracia portuguesa cumpriram dois mandatos. Onze milhões de portugueses foram chamados para escolher, entre Seguro e Ventura, o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa. Apesar da situação climatérica adversa, a afluência às urnas foi enorme e a abstenção deverá fixar-se nos 49%.

As sondagens previam um vencedor antecipado, mas as tempestades fizeram da abstenção o pior inimigo. Esta foi a segunda eleição mais concorrida do último meio século. Até ao dia 15 de fevereiro, vários municípios mantêm-se em situação de contingência. O antigo presidente da República, Ramalho Eanes (que apoiou Seguro), considera a situação atual «muito má».