Desde sábado, os Estados Unidos e Israel têm estado a atacar o Irão e o país já retaliou contra vários países, sendo o mais recente a Turquia. O Papa Leão XIV, em plena Praça de São Pedro, pediu paz para todo o mundo. O secretário-geral das Nações Unidas, o português António Guterres, condenou os ataques dos EUA e Israel ao Irão e apelou a um cessar-fogo imediato.
Aos poucos, os portugueses que estavam no Médio Oriente começaram a voltar ao país. Sobre Cristiano Ronaldo, o seu jato voou para Madrid mas, segundo a imprensa espanhola, o internacional português continua na Arábia Saudita, onde está a tratar de uma lesão. António Costa, presidente do Conselho Europeu, manifestou a solidariedade da UE com Espanha depois de a administração Trump ameaçar com represálias económicas, pelo facto de o governo de Madrid não ter permitido o uso das bases que possui no país. Os problemas entre os dois líderes tinham começado quando Sánchez se negou a aumentar o investimento na defesa para 5% do PIB. Costa lembra que «a ordem internacional está sob ameaça». Pedro Sánchez recordou a Washington que os acordos comerciais são negociados diretamente com a UE. O apoio dos Estados-membros de Bruxelas chega depois de o primeiro-ministro espanhol ter respondido hoje a Donald Trump pela sua intervenção militar no Irão, à margem das Nações Unidas.
Sobre o uso da Base das Lajes, nos Açores, o ministro da Defesa de Portugal, Nuno Melo, defendeu que «Portugal fez o que se espera dos aliados». Esta base está a ser usada pelo exército americano para reabastecer as aeronaves que estão a atacar o regime de Teerão. A parceria que regula o uso desta base prevê que a mesma só poderia ser utilizada para fins de defesa. Luís Montenegro ainda não se pronunciou sobre se condena ou não o ataque dos Estados Unidos, mas o ministro da Economia levanta a possibilidade de um apoio caso a guerra se prolongue e o preço dos combustíveis dispare. No Parlamento, a esquerda exigiu ao Governo que esclarecesse qual era o papel de Portugal nesta guerra. O embaixador do Irão em Lisboa já condenou a atitude de Portugal e o Chega exige que Seguro, assim que tome posse, chame o embaixador ao Palácio de Belém. Marcelo Rebelo de Sousa recusa comentar a situação geopolítica e afirma que a sua resposta é a que o Governo tem articulado.
Lisboa faz «malabarismo» com Trump
O Governo de Lisboa tenta manter um equilíbrio, procurando salvaguardar a soberania ao mesmo tempo que evita confrontar diretamente Trump. Este novo desafio ao Executivo de Montenegro surge numa altura em que o antigo líder do PSD, Pedro Passos Coelho, regressa ao espaço mediático e não nega a possibilidade de um regresso à política.
O embaixador de Cuba, em Lisboa, considera um «perigo real» uma intervenção na ilha caribenha semelhante à que está a acontecer no Irão. Mesmo perante uma situação geopolítica cada vez mais instável, o presidente eleito de Portugal prepara a sua tomada de posse, que terá lugar a 9 de março (onde irá jurar defender a Constituição da República em pleno Parlamento). Foi anunciado que o próximo chefe da Casa Militar será o tenente-general Maia Pereira. Atento às tensões internacionais, Seguro nomeou uma diplomata para a Casa Civil. O presidente eleito, que tem optado pelo silêncio sobre a crise global, entende que a soberania portuguesa depende da firmeza do Governo.
Na quinta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa irá presidir a um dos seus últimos atos oficiais como presidente da República. Marcelo presidirá a um Conselho de Ministros que terá como temas principais a Lusofonia, o plano de recuperação das zonas afetadas pelas tempestades e a atual situação geopolítica.

