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A literatura ibérica está mais pobre com a morte de António Lobo Antunes, o eterno candidato ao Nobel

Escritor António Lobo Antunes en su oficina revisando documentos

Morreu, aos 83 anos, o escritor António Lobo Antunes. Lobo Antunes, psiquiatra de formação, chegou a ser médico em Angola durante a Guerra Colonial e editou o seu primeiro livro com 37/38 anos. Para António Lobo Antunes, para ser escritor era necessário ter «paciência, solidão e orgulho».

A solidão e os horrores da guerra foram temas recorrentes nas suas obras, que podiam ser lidas no escuro (como dizia o próprio escritor). O seu primeiro livro foi «Memória de Elefante», seguido de «Os Cus de Judas». Ambos estes livros quase foram esquecidos antes de alcançarem o sucesso. A sua vasta obra é objeto de estudo nas universidades de todo o mundo. Existe mesmo uma Cátedra António Lobo Antunes que promove debates sobre o iberismo e o «transiberismo» em contextos internacionais.

António Lobo Antunes foi um dos grandes colossos da literatura portuguesa. O lisboeta tem no seu bairro da juventude, Benfica, uma biblioteca municipal com o seu nome. O seu pai, João Alfredo Lobo Antunes, neurologista, foi assistente do Nobel português da medicina, Egas Moniz.

Os prémios ganhos por Lobo Antunes

Na edição dos prémios União Latina de 2003, o escritor foi distinguido com o prémio de Literatura pelo conjunto da sua obra. Ganhou vários prémios tanto em Portugal como no estrangeiro. Recebeu os prémios Ibero-Americano de Letras José Donoso (Chile, 2006), o Prémio Camões, o mais importante em língua portuguesa (2007) e, em 2008, os prémios Terenci Moix (Espanha) e FIL de Literatura/Juan Rulfo, um dos mais importantes do panorama literário latino-americano. Depois do anúncio da morte de António Lobo Antunes, o governo de Luís Montenegro declarou um dia de luto nacional e Marcelo Rebelo de Sousa (no seu último ato como presidente) vai atribuir, de forma póstuma, ao escritor o Grande-Colar da Ordem de Camões. As cerimónias fúnebres de Lobo Antunes vão acontecer no Mosteiro dos Jerónimos, onde está o túmulo de Camões.

Em mais de quarenta anos de carreira literária, lançou 37 romances e vários livros de crónicas (chegou a colaborar ativamente com a imprensa portuguesa). Sendo o eterno candidato ao Nobel, o facto de não ter ganho (ao contrário de Saramago) foi uma das maiores mágoas da sua carreira, apesar de ter sido um dos autores mais traduzidos em todo o mundo.

Deu várias entrevistas a meios de comunicação internacionais, como é o caso dos espanhóis. Para além da carreira literária, a lenda de Lobo Antunes também se escreveu devido às declarações que dava, não só sobre outros autores (como foi o caso de Pessoa) ou a defesa profunda que fazia do iberismo. Para o escritor, Portugal e Espanha deveriam formar uma única entidade política, já que a separação política seria «uma barreira artificial perante a proximidade cultural e histórica». No dia em que foi anunciada a sua morte, também se soube que, em abril, será publicado um livro inédito de poemas.

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