El Trapezio

António José Seguro afirmou que é possível construir convergências ibéricas «duradouras quando prevalece a vontade de um destino partilhado»

No último dia como presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa saiu do Palácio de Belém tal como entrou, agradeceu a todos os que tiveram ao seu lado na última (década) e como chegou mais cedo à cerimónia do que Luís Montenegro e o rei Felipe VI decidiu fazer algum tempo e foi às compras perto da Assembleia da República, onde aconteceu a cerimónia de tomada de posse do presidente Seguro (e onde também estiveram antigos presidentes). O presidente Seguro e a sua família vieram para a tomada de posse diretamente das Caldas da Rainha.

Carlos Moeda, a eurocomissaria portuguesa Maria Luís Albuquerque e uma centena de diplomatas também estiveram presentes para ouvir António José Seguro. A posse de Seguro como presidente contou com 580 convidados (como é o caso dos presidentes de Cabo verde, Angola ou Timor-Leste e o rei Felipe VI de Espanha) e a decoração foi feita com rosas vermelhas e amarelas. Como dizia Jorge de Sena, «Portugal é feito daqueles que partem e dos que ficam».

Sobre o que esperar do presidente Seguro, apenas os eleitores do Chega não estão confiantes com o que esperar do socialista a frente da Presidência da República de Portugal. A cerimónia no parlamento começou com José Pedro Aguiar-Branco a lembrar que «Marcelo foi o presidente que os presidentes precisaram» e que Seguro foi o que recebeu a maior votação de sempre (superando Mário Soares). Seguro e Marcelo cumprimentaram todos os presentes efusivamente.

Seguro jurou como presidente da República de Portugal

Ceremonia de toma de posesión de António José Seguro como presidente de PortugalO juramento de Seguro, o sexto presidente eleito em democracia, foi feito com uma mão no original da Constituição e depois de lhe dar um abraço, Marcelo lhe deu a cadeira de presidente. No seu discurso de tomada de posse, António José Seguro agradeceu o trabalho que Marcelo Rebelo de Sousa fez nos últimos 10 anos e prometeu ser o «presidente de Portugal inteiro». Seguro também garantiu estabilidade e que não vai dissolver a assembleia logo a primeira oportunidade, tal como Marcelo o fez. Também prometeu que vai «estancar o frenesim eleitoral» e que vai «tratar todos os partidos por igual». No discurso, Seguro falou:

«Cumprimento a Sua Majestade, o rei Filipe VI, a sua presença honra-nos e reforça os laços de profunda amizade, proximidade e cooperação que unem Portugal e Espanha. Sei que ambos preferimos os caminhos às fronteiras. Sinergias que unem territórios, aproximam pessoas e transformam a vizinhança numa relação de amizade e cooperação. A relação entre Portugal e Espanha tem demonstrado que é possível construir convergências duradouras quando prevalece a vontade de um destino partilhado. Vontade que aqui renovo em nome de Portugal. Dirijo uma calorosa saudação a Suas Excelências os presidentes da República de Angola, Dr. João Lourenço; São Tomé e Príncipe, Eng. Carlos Manuel Vila Nova; Cabo Verde, Dr. José Maria das Neves; Timor-Leste, na sua dupla qualidade de presidente da CPLP, Dr. José Ramos Horta e de Moçambique, Dr. Daniel Chapo cujas presenças simbolizam a força dos laços históricos, culturais e económicos que unem os nossos povos e reafirmam os valores da cooperação, amizade e do diálogo que partilhamos». (…) «Portugal, universalista por vocação, prosseguirá todos os diálogos bilaterais e contribuirá para reforçar as organizações de que fazemos parte, nomeadamente as Nações Unidas, a NATO, a CPLP, a Organização dos Estados Iberoamericanos e a União Europeia. Somos um país europeu, atlântico e lusófono. Temos uma responsabilidade acrescida no diálogo com África e com a América Latina. O Mediterrâneo e o Atlântico não são fronteiras, são espaços de cooperação».

Nos Jardins do Palácio de Belém

Sereno e exigente. Foi desta forma que se descreveu o discurso de tomada de posse de António José Seguro como presidente da República de Portugal. Todos se levantaram para aplaudir o novo presidente de Portugal. O discurso inaugural durou mais de vinte minutos e depois de receber as honras militares, Seguro foi colocar uma coroa de flores aos pés de Camões, no Mosteiro dos Jerónimos. Ao contrário de Marcelo, que entrou e saiu sozinho, Seguro também subiu a rampa do Palácio de Belém a pé mas de mãos dadas com a mulher e os dois filhos.

O Palácio de Belém abriu portas a quem quisesse visitar os seus jardins. Na ocasião, o presidente da República, António José Seguro, recebeu um grupo de jovens de Penamacor. Na parte da tarde, e depois do almoço que deu para os chefes de Estado estrangeiros presentes (onde foi servido cabrito e vinho raiano produzido pelo próprio presidente), Seguro condecorou Marcelo Rebelo de Sousa. Os dois presidentes terão uma maneira de atuar muito diferente mas mesmo mais contido, o presidente Seguro abriu a janela do carro para acenar às pessoas.

O primeiro Conselho de Estado de Seguro vai acontecer ainda neste mês e terá como tema principal a segurança. Os estudantes pedem que o presidente Seguro se empenhe para pôr fim aos combustíveis fósseis até 2030. Em 2031, Portugal vai eleger um próximo presidente da República (desde que a democracia chegou a Portugal, todos os presidentes fizeram dois mandatos). Seguro, que foi professor nos anos em que esteve longe da política, encontrou-se com 52 jovens, o mesmo número de anos que a democracia em Portugal tem. O programa de cerimónias de Seguro prossegue na terça-feira, em Arganil, Guimarães e no Porto.

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