O mercado das explicações em Portugal movimenta cerca de 300 milhões de euros por ano (mais de 30 milhões de euros por mês), revelando uma dependência crescente do ensino não formal. Segundo o estudo “O mercado das explicações na Península Ibérica”, 20% dos estudantes portugueses entre os 6 e os 18 anos frequentam este tipo de apoio, o que equivale a cerca de 200 mil alunos em todo o país.
A comparação ibérica: Menos quantidade, mais intensidade
Embora em Espanha a proporção de alunos em explicações seja superior (1 em cada 4), as famílias portuguesas pagam uma fatura mais pesada. Em média, os pais em Portugal gastam 126,4 € por mês por aluno, face aos 97 € despendidos em Espanha — uma diferença de quase 30 euros.
Esta discrepância explica-se, em grande parte, pelo modelo escolhido:
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Aulas Individuais: São muito mais comuns em Portugal (41,8%) do que no país vizinho (25,3%).
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Foco nos Exames: Em Portugal, 31,3% dos alunos procuram apoio especificamente para preparar exames nacionais, enquanto em Espanha esta motivação é quase residual (5,3%).
O fator desigualdade: O fosso económico
O estudo sublinha que as explicações estão a tornar-se um fator de agravamento das desigualdades educativas. As famílias com rendimentos mais elevados recorrem mais a este serviço (25,9%) e gastam cerca de 30% mais do que as famílias em situação financeira precária.
Contudo, a pressão financeira é maior para os agregados mais pobres: para manter o apoio escolar, estas famílias são muitas vezes obrigadas a sacrificar outras despesas essenciais, uma vez que o custo de oportunidade é proporcionalmente mais elevado. A Matemática é a «rainha» das explicações em Portugal, sendo procurada por 69,8% dos alunos, seguida pelo Português (45,8%) e pelo Inglês (19,8%).
Diferenças Regionais e Informalidade
O mapa das explicações em Portugal não é uniforme. O Algarve destaca-se como a região onde as famílias mais gastam (144 €/mês), enquanto o Alentejo regista a despesa média mais baixa (105 €).
Outro dado relevante para a economia nacional é o peso da economia paralela neste setor: apenas 58% dos serviços de explicações em Portugal são faturados, indicando que uma fatia considerável deste mercado de 300 milhões de euros escapa ao controlo fiscal.
O peso do Ensino Secundário
É no Ensino Secundário que a incidência atinge o pico, com um em cada três alunos (33%) a frequentar explicações. A pressão dos exames nacionais para o acesso ao Ensino Superior é apontada pelos autores do estudo — entre os quais Bruno P. Carvalho e Susana Peralta — como o principal motor desta procura intensiva.
Perante este cenário, os investigadores alertam para a necessidade de políticas públicas que promovam a equidade, evitando que o sucesso académico dependa cada vez mais da capacidade financeira direta das famílias.

