Uma exposição sobre a trajetória da abolição da pena de morte no território ibérico pode ser vista em Lisboa (Torre do Tombo) e em Coimbra (Biblioteca Joanina da Universidade). A exposição «Heritage of Hope: The abolitionist legacy in Europe» apresenta documentos históricos e as biografias daqueles que lutaram para acabar com a pena capital em Portugal e em Espanha. Em Portugal, muitos dos que contribuíram para este marco foram juristas que estudaram Direito na Universidade de Coimbra, a qual ajudou a transformar o pensamento jurídico e cultural na lusofonia.
Portugal foi o primeiro país europeu, e um dos primeiros do mundo, a abolir a pena de morte por crimes civis, em julho de 1867. A última execução em Portugal ocorreu por enforcamento em Lagos (um combatente absolutista), ao contrário da crença popular de que o último condenado foi Diogo Alves (o famoso assassino do Aqueduto das Águas Livres), executado anteriormente, em 1841. Em 1976, com a atual Constituição da República Portuguesa, ficou explicitamente definido que não existe pena de morte para qualquer tipo de crime.
No caso espanhol, os últimos executados foram cinco indivíduos (da FRAP e da ETA) a 27 de setembro de 1975, nos meses finais do regime de Franco. Estas mortes provocaram uma onda de protestos mundiais e o isolamento diplomático temporário de Espanha. A pena de morte foi abolida em Espanha para crimes civis pela Constituição de 1978 e, finalmente, para todos os crimes (incluindo em tempo de guerra) em 1995.
A exposição estabelece ainda uma ligação às contemporâneas convenções europeias dos Direitos Humanos. O projeto resulta da colaboração entre o Arquivo Nacional da Torre do Tombo, a Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra e o Arquivo da Coroa de Aragão (ACA). Esta iniciativa pretende fortalecer o sentimento de pertença europeia dos mais jovens através de valores como a dignidade humana e a justiça. Para além de Lisboa e Coimbra, a exposição passará também pelo ACA (a 13 de abril), pelo ISCTE e pela sede da Amnistia Internacional.

