Portugal pretende voltar a fazer parte, como membro não-permanente, do Conselho de Segurança da ONU. A eleição para esta «cadeira» vai acontecer já nesta quarta-feira. A votação vai ser acompanhada de perto pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.
Os 193 membros da ONU têm direito de voto para este conselho, que é um dos mais importantes órgãos das Nações Unidas. Para um antigo MNE, Luís Amado, «está praticamente garantida» a eleição. A democracia em Portugal está cada vez mais madura e o país é visto como um «ator previsível e credível». Apesar de ser um país pequeno, Portugal é uma potência histórica, já que se articula com todas as regiões do mundo. Outros antigos diplomatas também estão confiantes na eleição de Portugal, mas lembram as dificuldades que a Alemanha e a Áustria podem levantar.
O Conselho de Segurança deve zelar pela manutenção da paz e da segurança internacional. O conselho tem cinco membros permanentes: Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido (com direito de veto), além de 10 membros não-permanentes. Para vencer, um candidato precisa de garantir uma maioria qualificada de dois terços dos votos. Nos últimos meses, os membros do governo de Montenegro viajaram várias vezes ao estrangeiro para conseguirem apoios para esta candidatura.
O lugar da Europa Ocidental vai ser disputado contra a Alemanha e a Áustria. Quem ganhar vai ter uma voz ativa no biénio 2027-2028. Caso ganhe, este será o quarto mandato de Portugal. Lisboa lançou a sua candidatura ainda em 2013 com o lema «Prevenção, Parceria, Proteção». Nos últimos 64 anos, Portugal destacou 20 mil efetivos que participaram nas missões de paz da ONU. Para Luís Montenegro, se Portugal for eleito, «investirá na diplomacia preventiva». O antigo presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, numa intervenção antiga, reiterou o apoio de Portugal à reforma da ONU e do Conselho de Segurança, «pelo menos com presença africana, do Brasil e da Índia como membros permanentes».

