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«La Cena» apresenta a Guerra Civil espanhola de uma forma cómica mas sem esquecer as feridas que continuam abertas

Escena de la película La Cena sobre la Guerra Civil Española con personajes caminando.

O embaixador Juan Fernández Trigo abriu as portas da embaixada, na Praça de Espanha, para o visionamento do filme «La Cena». Este filme é do ano passado. Depois desta sessão de cinema houve um pequeno colóquio, que contou com a participação de Paulo Portas, que tem origem galega pelo lado do pai. O antigo político e comentador participou numa conversa com o embaixador onde debateram sobre os impactos que esta guerra — que, mesmo tendo sido civil, teve uma vasta participação internacional — teve não só no lado espanhol mas também deste lado da fronteira.

Salazar apoiou o lado franquista não por amizade, mas porque achava que, se a democracia chegasse a Madrid, facilmente passaria para Lisboa. Apesar de ambos serem autoritários, Salazar (tal como Hitler) não gostava muito de Franco por ele ser um homem de poucas palavras. Pelo menos, foi o que Paulo Portas contou. Portas, que também é jornalista, admite ser um grande apreciador do cinema espanhol, seja ele de antes ou depois do regresso à democracia. Durante o visionamento do filme, muitas das pessoas que estavam na embaixada acabaram por rir com o nonsense das situações apresentadas.

Os portugueses lutaram pelos dois lados do conflito e em Portugal, mais precisamente em Barrancos, houve um campo de refugiados para acolher os militantes de esquerda que fugiram do regime franquista. Antes da sua morte, Franco preparou o regresso da monarquia, com Juan Carlos I, mas Salazar, tal como Paulo Portas lembrou, foi o único ditador a cair devido a uma cadeira, sendo que os políticos e diplomatas fingiram que ele continuava a comandar, apesar de o presidente do Conselho de Ministros ser Marcelo Caetano. Esta anedota deu origem a um filme português recentemente estreado.

O embaixador lembrou que existiram cinco guerras civis em Espanha e, mesmo tendo passado nove décadas desde o início daquele conflito, o peso do mesmo continua a passar entre as gerações. Já Paulo Portas destacou a transição democrática que Espanha teve, e que a transformou no país que hoje em dia é, destacando algo que difere entre Portugal e Espanha: para Portas, Portugal é um país que prefere o consenso, enquanto Espanha prefere o conflito, seja entre regiões ou a nível nacional. Para além das cinco guerras civis, o embaixador lembrou o período complicado que o país enfrentou com a onda terrorista que a ETA (que chegou a lutar contra o franquismo) protagonizou.

«La Cena», a comédia histórica sobre uma guerra que conquistou Espanha

Este filme, que chegou a ganhar o Goya para melhor argumento adaptado, é uma comédia dramática que aborda o período da Guerra Civil espanhola e o conflito entre os dois lados, o franquista e o de esquerda.

Esta é uma comédia histórica acessível de ser compreendida até por quem não conhece muito sobre este período da história de Espanha, que já aconteceu há 90 anos. Foi a 18 de julho que a guerra estalou e a vida de todos mudou, incluindo a de um sargento franquista, responsável por organizar este jantar, que tinha pensado em deixar a vida militar e virar fotógrafo antes do início do conflito. No fim deste filme, o sargento vira mesmo fotógrafo, mas a guerra não o deixa em paz, nem a ele nem ao grupo de esquerda do hotel que, em França, conhece um outro líder autoritário, Hitler. O fim deste filme é com este grupo a ter de preparar um novo jantar. Será que era um gancho para a segunda parte do filme?

Este conflito acontece quando os franquistas estão a comemorar a sua vitória na guerra, mas o jantar — realizado num hotel que chegou a ser de luxo — é feito por uma equipa de cozinheiros de esquerda que estavam presos e foram retirados da prisão para cozinhar para Franco e os seus generais. O jantar era opulento, mas a população continuava a enfrentar dificuldades. Mesmo assim, Franco era aplaudido pelas pessoas que estavam em frente ao hotel ou por parte do seu staff. O mesmo sentimento de dualidade continua a ser vivido e, no fim do colóquio, a pergunta deixada é se Espanha perdoou ou esqueceu este período. Um período que ninguém quer que volte, mas que também não se pode esquecer para não se repetirem os mesmos erros.

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