Foi lançado, pela União europeia, o concurso para a criação de sete gigafábricas de IA. O continente europeu pretende ter soberania na computação, recuperando terreno, assim, face aos gigantes tecnológicos que se encontram não só no continente asiático mas também nos Estados Unidos. Portugal e Espanha são os candidatos para receber uma destas fábricas. A Península Ibérica destaca-se no concurso europeu pela sua elevada capacidade de produção de energia renovável, talento e uma forte ligação aos cabos submarinos.
Portugal é um dos principais hubs digitais e pontos de amarração de cabos submarinos do mundo. Sines, Sesimbra ou o Funchal são alguns dos principais pontos de amarração destes cabos. Uma gigafábrica de IA serve, entre outras coisas, para treinar os modelos de linguagem mais exigentes. Esta candidatura ibérica está avaliada em 8 mil milhões de euros. Cada um dos países vai dar 4 mil milhões, entre investimento público e privado. Para o ministro-adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, esta gigafábrica «garante que Portugal terá capacidade soberana de produção de inteligência artificial».
Apesar de ser uma candidatura unificada para maximizar as hipóteses de sucesso junto de Bruxelas, a componente portuguesa manterá total soberania sobre as atividades que vão acontecer no seu território. Apesar de serem apontadas três localizações em Portugal, o polo tecnológico e energético de Sines surge como um dos grandes favoritos devido ao seu ecossistema digital já existente. No lado espanhol são apontadas duas localizações, uma na Catalunha e outra em Madrid.
Para a Deloitte, caso a fábrica ibérica avance, esta pode ser a «nova Autoeuropa» de Portugal. Isto porque a Autoeuropa, que fica em Palmela, contribui de uma forma importante para o PIB luso. O turismo gerou um contributo total de 36,2 mil milhões de euros para a economia portuguesa em 2025, o equivalente a 11,8% do PIB. 59% das empresas portuguesas retiram benefícios da IA, mais do que as suas congéneres da Alemanha, Espanha e dos Países Baixos.


