A ATE exigiu compromissos concretos e calendários para o início das obras da «Autoestrada da Esperança» e para o desbloqueio das ligações transfronteiriças. «A província de Cáceres [Espanha], a Beira Baixa e o Alto Alentejo não podem continuar a ser tratados como uma ilha. Menos pessoas no interior não significa menos direitos», afirmou o espanhol Francisco Martín, porta-voz da ATE. O encontro entre o conselheiro de Infraestruturas da Junta da Estremadura, Francisco Ramírez, e o ministro das Infraestruturas e da Habitação de Portugal, Miguel Pinto Luz, decorreu na quarta-feira, em Lisboa. A ATE, que representa diversas entidades do Norte da Estremadura espanhola e da Beira Baixa portuguesa, sublinhou que aguarda há dois anos e meio por esta reunião de alto nível.
Embora considere o encontro um passo importante, a organização advertiu que as expectativas das populações locais não podem voltar a ser frustradas. Para evitar um novo impasse, a Aliança estabeleceu prioridades e exigências fundamentais, nomeadamente o arranque imediato do primeiro lanço de obras, nos troços entre Moraleja e Cilleros (lado espanhol, EX-A1), e entre Alcains e a vila de Idanha-a-Nova (lado português, IC31). O desbloqueio das pontes internacionais sobre o rio Erges e Cedilho é outra das prioridades defendidas. Segundo a Aliança, isto implica a «validação imediata dos trâmites pendentes para que o Congresso dos Deputados em Espanha aprove o acordo internacional sobre a ponte do rio Erges, seguindo o modelo adotado na XXXV Cimeira Luso-Espanhola em Faro».
Praias do Centro de Portugal
Exigem também o início rápido das obras da ponte internacional de Cedilho (Espanha) e a criação de um corredor logístico e industrial. «Atualmente, 88% da ligação entre Madrid e Lisboa por este trajeto já é autoestrada sem portagens», vincaram. Por último, a ATE sublinhou que a nova infraestrutura colocará as praias do Centro de Portugal a apenas duas horas e meia do Norte da Estremadura e a menos de cinco horas de Madrid. A ATE estima que a falta de acessibilidades modernas faz o interior perder cerca de um milhão de turistas por ano.
«A conclusão desta ligação é fundamental para a competitividade das nossas empresas, para a fixação de pessoas e para transformar o interior num verdadeiro eixo de desenvolvimento transfronteiriço», afirmou o presidente da Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues. O objetivo da Aliança é concluir os 72 quilómetros em falta até ao final de 2029, antecipando o Mundial de Futebol de 2030.

