A crise entre Espanha e Marrocos continua a dar que falar, e Portugal está a ser colocado no meio da tensão. Membros de setores políticos, económicos e mediáticos acusam Lisboa de estar a aproveitar a situação difícil para servir de porta de entrada alternativa em solo europeu para Marrocos. Muitos, do outro lado da fronteira, lamentam que, por detrás dos abraços, a relação entre os governos de Lisboa e de Madrid esteja mais fria do que o habitual. Isto porque os executivos de Lisboa e de Rabat analisam a possibilidade de recuperar o projeto de construção de uma interligação elétrica, com capacidade para 1000 megawatts, entre os dois países.
Qualquer grande interligação com Marrocos produzirá inevitavelmente efeitos sobre os preços, os fluxos de eletricidade e a segurança de abastecimento em toda a Península Ibérica. Portugal olha para esta possível ligação como uma forma de reforçar a segurança do abastecimento e diminuir a dependência da rede espanhola.
Sistema elétrico europeu
«Estamos a fazer os cálculos, é um projeto dispendioso e a vantagem principal é o recomeçar no caso de um apagão», indicou a ministra do Ambiente de Portugal. Se o projeto receber luz verde, Portugal passará a ter uma ligação elétrica internacional que não atravessa Espanha. Esta ligação seria feita através de um cabo submarino, cuja construção depende do financiamento por fundos privados e europeus. Marrocos já está ligado ao sistema elétrico europeu através de Espanha e, aquando do apagão, foi um dos países que, a par da França, ajudou quando a Península Ibérica ficou às escuras.
Em 2018, este projeto estava estimado em 800 milhões de euros, valor que se encontra atualmente desatualizado. Os governos de Lisboa e de Rabat têm prevista uma cimeira bilateral no início de 2027, reunião na qual o tema poderá voltar a ser debatido.

