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Apesar das eleições no Brasil, Vitalino Canas defende que já não é possível travar o acordo UE-Mercosul

Vitalino Canas hablando sobre el acuerdo UE-Mercosur en un evento

Vitalino Canas, presidente da associação Fórum de Integração Brasil-Europa, espera que, caso Flávio Bolsonaro vença as futuras eleições brasileiras, não coloque em causa o acordo UE-Mercosul. O tratado entrou em vigor, de forma provisória, em maio e, entre esse mês e setembro, as exportações do Brasil para a UE dispararam 23,5%, totalizando 20,4 mil milhões de dólares, enquanto as vendas da UE para o mercado brasileiro cresceram 6,2%.

Esta parceria ganha uma nova importância com a administração Trump a impor tarifas comerciais a «meio mundo». O antigo secretário de Estado acredita que «este espaço comercial de 700 e tal milhões de consumidores, de pessoas que ficam aqui abrangidas por este acordo, é uma resposta muito clara, não apenas do ponto de vista comercial, não apenas do ponto de vista do comércio internacional, mas do ponto de vista político».

Do lado europeu, António Costa e Pedro Sánchez foram dois dos principais dinamizadores para que este acordo se tornasse, vinte anos depois, uma realidade. Trata-se de um entendimento que não é apenas económico, mas que também aproxima países com uma forte ligação histórica e cultural.

Parlamento Europeu

O tratado pode ainda trazer benefícios para Portugal nas exportações de produtos como o vinho ou o azeite, abrindo um mercado mais amplo. Contudo, o texto final, que ainda enfrenta resistências, terá de ser ratificado pelo Parlamento Europeu.

Para o político socialista, as bases deste tratado superam as ideologias políticas. Canas defende que Portugal deve continuar a atuar como uma plataforma de ligação para o Brasil. Para aprofundar o debate, o Fórum de Integração Brasil-Europa vai promover o evento «Acordo Mercosul-UE: Oportunidades e Desafios», que reunirá figuras de relevo de Portugal e da América Latina. O encontro decorrerá em Lisboa, nos dias 3 e 4 de dezembro, onde os participantes irão debater a relevância geoestratégica e os impactos jurídico-económicos deste tratado.

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