O mirandês tem o seu primeiro manual e a Constituição Portuguesa traduzida para esta língua

O Presidente António José Seguro convida todos, em mirandês, para a Festa do Livro, no Palácio de Belém

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Libros en mirandés y otros idiomas en una vitrina.

Foi há 28 anos que a língua mirandesa foi elevada a segunda língua oficial de Portugal. Para assinalar a data, foram apresentados o primeiro manual escolar e a tradução da Constituição da República Portuguesa para mirandês.

Para promover o idioma, o objetivo passa por garantir que este seja mais utilizado nas instituições, nos serviços públicos e no território. O mirandês é uma língua ibero-românica pertencente ao domínio asturo-leonês, falada na região do Nordeste Transmontano conhecida como Terra de Miranda (concelho de Miranda do Douro e algumas freguesias de Vimioso). O isolamento geográfico provocado por barreiras naturais como o rio Sabor ajudou a preservar o idioma ao longo dos séculos. Contudo, por ser falado por uma população reduzida e envelhecida, encontra-se numa situação crítica de sobrevivência.

Com origem no latim falado na Península Ibérica, o mirandês está mais próximo do leonês ou do asturiano do que do português. Décadas após o seu reconhecimento, foi criado um manual para ensinar as crianças a falar esta língua desde a infância.

O secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, acredita na possibilidade de deste manual ser alargado a outras zonas do país. Várias obras, desde livros de Valter Hugo Mãe à aventura de Astérix e Obélix na Lusitânia, estão também a ser traduzidas.

Na música, a banda Trasga é a única que canta totalmente neste idioma. Para celebrar o Dia do Mirandês, assinalado a 17 de setembro, o Presidente da República publicou uma mensagem em mirandês no sítio oficial da Presidência, convidando a população para a nona edição da Festa do Livro no Palácio de Belém.

Sobre o mirandês, António José Seguro descreveu-o como «uma língua que se guardou na boca das pessoas, nas histórias de lareira, nos cantares e nas conversas de todos os dias, e que hoje também se encontra nos livros, que são a forma de a fazer durar». A Festa do Livro foi criada por Marcelo Rebelo de Sousa, e Seguro aproveitou a ocasião nos jardins do Palácio para agradecer a iniciativa e apelar aos portugueses para que leiam mais, tendo em conta os fracos resultados registados no último teste PISA.