A crise na habitação está cada vez mais no centro do debate, não só na Espanha, mas também em Portugal. No entanto, os executivos de Lisboa e de Madrid estão a optar por posturas diferentes para responder a este problema.
Trata-se de um problema amplificado pela pressão demográfica gerada pela vaga de imigração e pelo fluxo de turistas nos dois países ibéricos. A escassez de habitação a preços acessíveis (embora cada vez mais municípios estejam a construir habitações para arrendamento acessível) e a diminuição do poder de compra são problemas comuns.
Em Portugal, em vez de proteger os inquilinos, o governo de direita de Luís Montenegro quer promover a flexibilização do mercado de arrendamento, o fim da transmissão do contrato de arrendamento em caso de morte (muito comum no país) e o fim do teto de 2% no aumento das rendas. Em Portugal também existem marchas em prol da habitação, mas não com a mesma influência política vista na Espanha.
Este plano ainda tem de ser levado ao Parlamento. Segundo o FMI, após o preço das habitações ter subido 169% desde 2015, este é um dos principais problemas do país, afetando a estabilidade de Portugal.
Após o despejo de Maricarmen (entretanto, a empresa que adquiriu a habitação deixou-a voltar), e com a população nas ruas, o governo espanhol chegou a acordo para aprovar um novo decreto da habitação, que irá proteger contra os despejos e proibir a aquisição de casas por fundos imobiliários até 2028.

