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Carmen Calvo esteve em Portugal para apresentar um livro sobre Isabel de Portugal

A residência do embaixador de Espanha em Portugal recebeu a presidente do Conselho de Estado, Carmen Calvo, para apresentar o livro «Gobernar en Consejo. Isabel de Portugal y el ejercicio del poder en la Castilla de Carlos V (1528–1538)». Antes da pequena conversa que Carmen Calvo e o embaixador tiveram no Palácio de Palhavã, a presidente do Conselho de Estado esteve reunida com o presidente da Assembleia da República de Portugal, José Pedro Aguiar-Branco. Além do livro, Calvo e Aguiar-Branco falaram sobre o papel que Portugal e Espanha têm na defesa da democracia na Europa, já que, em ambas as nações, a ditadura foi imposta à força e nunca votada.

A criação deste conselho deveu-se à imperatriz, que avisava o marido sobre os perigos do poder. O Conselho de Estado, que cinco séculos depois continua ativo, pode não ter um poder específico, mas a sua presidente acredita que «a autoridade que importa não é o poder, mas sim a influência».

«Todos os poderes necessitam de limites», reforçou a atual presidente do Conselho de Estado, Carmen Calvo. A dirigente do PSOE defende que «os interesses do povo estão acima de todas as vontades».

Isabel de Portugal foi um dos pilares do poder na Península Ibérica e na Europa durante o tempo em que atuou como regente. A figura de Isabel de Portugal, como política, está ao nível de Isabel I (Inglaterra), Catarina de Médici (França), Catarina, a Grande (Rússia) ou Kösem (Império Otomano). Todas elas mulheres que estiveram à frente do seu tempo. Por serem mulheres, tiveram a capacidade de «estar a par das coisas pequenas e das grandes», disse Carmen Calvo.

O embaixador, Juan Fernández Trigo, destacou a importância de falarmos sobre Espanha e Portugal através de uma figura feminina. Esta figura, que quando saiu do Reino de Portugal para se casar terá dito «César ou nada!», é uma das provas, segundo o embaixador, de que quando os dois povos se unem podem fazer coisas incríveis. A proximidade entre Portugal e Espanha tem sido mais marcante nos últimos 40 anos, mas ainda existem partes da nossa história comum pouco conhecidas. Isabel de Portugal foi mãe do rei D. Filipe I (II de Espanha).

Esta obra, que nasceu graças a uma vasta investigação, é da autoria de Sergio Bravo Sánchez. Ao longo das páginas deste livro é valorizado o papel, no exercício do poder, que a imperatriz Isabel de Portugal teve durante as longas ausências do seu marido, o imperador Carlos V. Para o embaixador, o amor entre Isabel e Carlos (que, depois da morte da mulher, não se voltou a casar) deixa cair por terra o mito de que «de Espanha nem bom vento, nem bom casamento». Já Carmen Calvo considera este livro importante pois «faz falta memória». O livro foi editado devido às comemorações do quinto centenário do Conselho de Estado de Espanha.

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