As manifestações estão a percorrer toda a Europa, desde a Grécia até Portugal. Os jovens, e menos jovens, estão a tomar as ruas contra o aumento do custo de vida e a pedir para se «abrirem casas e não cabeças».
No Porto, os manifestantes acusam a PSP de violência e o World Justice Project aponta Portugal como um dos países onde o autoritarismo está a enraizar-se. Na invicta, houve mesmo uma videochamada entre os dois acampamentos ibéricos, já que em ambos os lados da fronteira os jovens decidiram tomar as ruas para exigir habitação a preços dignos. Estas manifestações já foram discutidas na Assembleia da República, onde os deputados de direita dizem que os protestos em Portugal (que estão a acontecer em várias cidades) são importados.
Enquanto o presidente da República pede um consenso entre todos para ser possível terminar com a crise na habitação, o governo levanta a possibilidade de negociar a Lei das Rendas com o PS. José Luís Carneiro já tinha alertado que, se esta lei fosse aprovada nos moldes em que está atualmente, facilitando os despejos, poderia servir como «um rastilho social impossível de apagar». Os manifestantes, que viram as suas tendas retiradas pela polícia, entraram em tribunal para manterem a acampada até à aprovação do Orçamento do Estado, que será apenas aprovado pelo PS caso a Lei das Rendas caia.
Para o ministro da Defesa, Nuno Melo, os sotaques (não ibéricos) dos líderes dos acampamentos nos dois lados da fronteira demonstram que a crise na habitação foi amplificada por uma imigração descontrolada. O ministro da Administração Interna, Luís Neves, reforçou que a polícia vai atuar por antecipação nas manifestações pela habitação, mas também disse que nenhum dos membros do governo fica contente com qualquer ato de violência.
Em Lisboa, também houve 55 pessoas detidas por desobediência, que serão levadas a tribunal até ao fim do mês. Com ou sem tendas, os manifestantes prometem reunir-se todos os dias até verem a situação em Portugal ser alterada.



