O Presidente da República, António José Seguro, lamentou que os jovens portugueses — com mais qualificações do que os pais ou os avós — sejam uma «geração bloqueada». Mais uma vez, o Chefe de Estado pediu o entendimento entre os partidos para resolver a atual crise na habitação.
São necessárias casas para «todas as bolsas». Sobre a atuação das forças de segurança, Seguro afirmou que «não gostou do que viu» e apelou a mais diálogo «e nunca violência». Para Seguro, o excesso policial não é normal numa democracia.
O líder do Chega, André Ventura, já reagiu a este discurso de Seguro, classificando-o como «vago e redondo». Para Ventura, é necessário defender a posição da polícia nestas manifestações. Ventura questionou ainda o primeiro-ministro sobre onde este se encontrava durante as situações mais complexas nos acampamentos, enquanto José Luís Carneiro defendeu que a atuação da polícia deveria ser orientada pelo próprio PM.
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, voltou a defender a atuação da PSP em Lisboa e no Porto para «repor a ordem». O ministro recusa que estas manifestações tenham sido dispersas mediante o uso de bastões. A PSP publicou um vídeo nas redes sociais para demonstrar que a sua intervenção ocorreu na sequência de um ataque prévio contra os agentes.
Os manifestantes detidos durante os protestos pagam caução ou serão submetidos a julgamento. Quem também esteve presente em Lisboa foi o dirigente do sindicato espanhol dos inquilinos, Pablo García Bachiller, que defendeu que a luta pela habitação é «internacional» e apelou à adesão da CGTP e da UGT para a convocação de uma greve geral ibérica. Segundo os últimos censos, existem 250 mil casas devolutas. O Presidente da República continua a pressionar o governo para colocar estes imóveis no mercado de arrendamento.



