Em cada dez alunos, um sente-se discriminado na escola devido à sua situação socioeconómica. É a esta conclusão que chega o estudo Implicações da perceção de desigualdades socioeconómicas no bem-estar das crianças e nas suas aspirações do Observatório Social da Fundação ”la Caixa”.
Este estudo foi desenvolvido por Leonor Pereira da Costa e Ana Rita Farias (Universidade Lusófona, HEI Lab); Joana Cabral (Independent Researcher); Ricardo Borges Rodrigues (ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, CIS); Sílvia Luís (Universidade de Lisboa, Centro de Investigação em Ciência Psicológica) e Vítor Hugo Silva (Universidade Lusófona, HEI Lab; ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, DINÂMIA’CET). O estudo baseou-se num inquérito realizado a 2.580 crianças e adolescentes entre os 10 e os 15 anos, em 40 escolas portuguesas. Os inquéritos foram feitos online.
A discriminação pode acontecer devido à forma de falar, à roupa ou por não terem os mesmos bens que outras crianças. O que pode ter um impacto negativo no seu bem-estar emocional. Para os responsáveis por este estudo, compreender a forma como as crianças percebem as desigualdades sociais é essencial para promover ambientes escolares mais inclusivos. Ter práticas educativas inclusivas pode contribuir para melhorar o bem-estar das crianças e para que estas desenvolvam aspirações académicas e profissionais mais ambiciosas. Todos devem ser aquilo que querem ser. A educação é um motor social.
Os alunos mais pobres relatam uma maior discriminação, menor bem-estar e expectativas mais negativas sobre o futuro. Em Portugal, segundo dados do INE, 20,7% das crianças e jovens encontram-se em risco de pobreza ou exclusão social. É mesmo um dos países mais desiguais da Europa.


