Imprensa relembra a história dos portugueses que participaram na Guerra Civil espanhola

A comunidade portuguesa em Espanha participou ativamente nos dois lados de um conflito que mudou a história

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Soldados portugueses durante la Guerra Civil Española en acción.
La fotografía muestra a soldados portugueses en combate durante la Guerra Civil Española, un conflicto que involucró a muchos portugueses en ambos bandos. Esta imagen es un recordatorio de las historias no contadas de aquellos que lucharon en esta guerra. La participación portuguesa fue significativa, con miles de hombres involucrados en el conflicto.

A poucos dias de se marcar mais um ano do início da Guerra Civil Espanhola — mais precisamente 90 anos —, o jornal português Público lançou a série documental «España en mi corazón: As histórias nunca contadas dos portugueses na Guerra Civil de Espanha».

A Guerra Civil espanhola começou a 18 de julho de 1936. Naquela altura, a comunidade portuguesa, espalhada por todo o país, tinha, na sua maioria, emigrado na década anterior e já estabelecido ali as suas famílias. Havia, então, 30 mil portugueses registados em Espanha, que acabaram apanhados num turbilhão do qual tinham tentado fugir após a ascensão do salazarismo em Portugal. Uma das figuras que lutou pelos republicanos foi o historiador português Jaime Cortesão.

Os portugueses envolveram-se em ambos os lados do conflito: quer com os nacionalistas de Francisco Franco, quer com os republicanos. Os que apoiaram Franco ficaram conhecidos como os «Viriatos» (nome inspirado no herói lusitano da época do Império Romano) e contavam com o apoio direto do regime português. Estas tropas eram voluntárias. Estima-se o envolvimento de 20 mil homens que, motivados pelo anticomunismo, foram recrutados através da Legião Portuguesa. Muitos receberam o seu treino inicial em Badajoz. Salazar temia, acima de tudo, a instauração de um governo comunista na Península Ibérica.

Por outro lado, milhares de portugueses combateram clandestinamente do lado republicano. Pouco se sabe sobre estas pessoas devido à censura do regime português. Várias centenas de portugueses morreram em combate ou foram executados, encontrando-se muitos ainda sepultados em valas comuns não identificadas. Existem, inclusivamente, portugueses sepultados no Vale dos Caídos. Adicionalmente, entre 2.000 a 3.000 refugiados republicanos espanhóis cruzaram a fronteira para Portugal, tendo a vila de Barrancos acolhido um campo de refugiados para receber estas pessoas.

A guerra durou 32 meses e provocou milhares de vítimas, muitas das quais portuguesas. Um dos exemplos marcantes desta história é o de António Passaporte, o único fotógrafo português alistado nas Brigadas Internacionais durante a Guerra Civil Espanhola. Os soldados conheciam-no como o «pequeño portugués». Passaporte acompanhou de perto as operações de defesa de Madrid. Antes da guerra, António já era conhecido em Espanha pelos seus postais, que assinava sob o pseudónimo «Loty». Após o conflito, regressou a Portugal e participou na Exposição do Mundo Português, em 1940. Atualmente, o acervo deste fotógrafo pode ser consultado no Arquivo Municipal de Évora.