União dos Federalistas Europeus exige ação imediata da UE para proteger Tribunal Penal Internacional frente a ameaças de Washington

Organização apela à ativação urgente do Estatuto de Bloqueio da UE para travar sanções americanas e salvaguardar a soberania jurídica europeia contra a administração de Donald Trump

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Logo conmemorativo del 80 aniversario de la Unión de Federalistas Europeos
Este logo representa el 80 aniversario de la Unión de Federalistas Europeos, destacando su compromiso con la justicia internacional. La UEF ha abogado por la defensa del Tribunal Penal Internacional frente a presiones externas, reafirmando su papel en la protección de los derechos humanos.

No Dia Mundial da Justiça Internacional, a União dos Federalistas Europeus (UEF) reafirmou publicamente o seu apoio inequívoco ao Tribunal Penal Internacional (TPI), classificando-o como um pilar essencial da justiça global e da defesa dos direitos humanos. A organização condenou veementemente a interferência contínua e as sanções injustificadas impostas pela administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra juízes e procuradores daquela jurisdição. O protesto surge na sequência das declarações do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que anunciou formalmente uma campanha governamental destinada a desmantelar e «desativar sistematicamente» o tribunal internacional.

A ofensiva de Washington traduz-se no alargamento de sanções económicas, na revogação de vistos e na proibição de viajar para magistrados e entidades parceiras, além de exercer forte pressão sobre os Estados-membros da União Europeia para que rejeitem a jurisdição do tribunal sob pena de perderem a cooperação militar e de segurança com os Estados Unidos. Perante o agravamento da situação, a UEF alertou que a aplicação extraterritorial destas medidas restritivas constitui uma violação direta da soberania jurídica e política da Europa, coagindo entidades europeias a participar num bloqueio ilegal contra uma instituição que a própria UE está vinculada por tratados a defender.

Neste sentido, os federalistas exigem que a Comissão Europeia ative de forma imediata o Estatuto de Bloqueio da UE, um mecanismo legal criado em 1996 precisamente para salvaguardar os operadores europeus contra os efeitos de legislações abusivas de países terceiros. A UEF sublinhou que esta exigência ecoa a posição firme já assumida pelo Parlamento Europeu que, através de resoluções e audições conduzidas ao longo dos últimos meses, tem pressionado o executivo comunitário a agir, contando também com o apoio formal de países como a Eslovénia, de organizações não-governamentais e do próprio TPI.

Contudo, apesar das declarações públicas em defesa da independência judicial proferidas pela Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelo Presidente do Conselho Europeu, António Costa, o executivo de Bruxelas tem ignorado os apelos formais da assembleia parlamentar. O presidente da UEF e antigo eurodeputado, Domènec Ruiz Devesa, asseverou que a resposta europeia deve ser firme na contenção do desígnio de impunidade promovido pelos Estados Unidos, declarando ainda o seu total apoio às mobilizações lideradas por plataformas civis como a Eumans, a Não Há Paz Sem Justiça (NPWJ) e a Coligação para o TPI.