Portugueses e franceses atravessam a fronteira espanhola para abastecer o depósito devido aos preços mais baixos

Governo espanhol aplicou vários apoios para travar a subida dos combustíveis, enquanto Portugal não desce os seus impostos, preferindo adotar outras medidas

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Autos en una estación de servicio en la frontera entre España y Portugal

Espanha continua a alargar a sua vantagem face a Portugal no preço dos combustíveis. A diferença de preços explica-se, desde logo, por uma taxa de IVA mais baixa do que a portuguesa (21% contra 23%).

Para travar a escalada de preços sentida em toda a Europa, Espanha concedeu vários apoios públicos com impacto direto na hora de atestar o depósito, traduzidos num desconto de 20 cêntimos por litro no gasóleo e de 10 cêntimos por litro na gasolina.

Em comparação com o início do ano, a vantagem fiscal face a Portugal aumentou mais 5 cêntimos na gasolina e mais 6 cêntimos no gasóleo. Se já é habitual ver condutores portugueses a abastecer em Espanha, agora também os franceses aproveitam as medidas espanholas para encher o depósito. Muitos portugueses, mesmo os que residem longe da fronteira, começam a fazer esta viagem até ao país vizinho.

Estes apoios fazem com que Espanha deixe de arrecadar entre 9 e 16 cêntimos por litro. Do lado português, a ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, defende a postura do Governo de Lisboa, que optou por libertar mais rendimento através da redução do IRS e de bónus nas pensões.

A ministra sublinha que apoios direcionados são mais eficientes do que uma descida indiscriminada de impostos. O Governo pretende ainda avançar com um imposto sobre os lucros extraordinários no setor da refinação. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, recusa substituir a estratégia atual por «medidas avulsas» que possam prejudicar o PIB, numa altura em que Bruxelas já alertou para os riscos da crise energética.

O presidente da ANAREC, João Durão, acusa o Governo de «mentir» aos portugueses quando afirma que não lucra com a subida dos combustíveis. Por sua vez, José Luís Carneiro, do PS, recorda que, em 2022, o atual ministro da Economia, Miranda Sarmento, defendia a redução do IVA sobre os combustíveis.