Évora prepara-se para viver três dias repletos de literatura. Entre 9 e 11 de outubro, a cidade alentejana será palco da primeira edição do GUADIANA – Festival de Literaturas Afro-Ibero-Americanas, um evento que reúne 28 autores de nove países de língua portuguesa e espanhola. Com direção e curadoria de Antonio Sáez Delgado, e organizado em colaboração com a Universidade de Évora, a Cátedra de Estudos Ibéricos e a Câmara Municipal de Évora, o festival integra a programação da Capital Europeia da Cultura Évora 2027.
Angola, Argentina, Brasil, Colômbia, Espanha, México, Nicarágua, Portugal e São Tomé e Príncipe estarão representados num evento que cruza diferentes géneros e tradições literárias, com música, oficinas e ateliers de desenho, encontros com leitores, bem como sessões de spoken word. A riqueza das atividades coaduna com o elenco de escritores de renome mundial que marcarão presença na paisagem alentejana, entre eles Anna Pacheco, Lídia Jorge, Dulce Maria Cardoso, Afonso Cruz, José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares, João de Melo, Joana Estrela, Manuel Rivas, Ondjaki, Sara Mesa, Tatiana Salem Levy, Pilar del Río e Juan Gabriel Vásquez.
Inspirado pelo conceito de “vagar” – entendido como o tempo e espaço para a reflexão –, o festival convida à desaceleração do mundo atual. “Quase sem darmos por isso, acostumamo-nos a medir quase tudo pela velocidade”, afirma o curador num comunicado de imprensa. “A literatura lembra-nos exatamente o contrário. Convida-nos a parar, a escutar, a demorar o olhar sobre o mundo e sobre os outros. Convida-nos ao vagar”. Desta forma, o evento pretende posicionar-se como um “ponto de encontro entre escritores e leitores, um espaço público para todos aqueles que acreditamos que conversar continua a ser uma das formas mais livres e transformadoras de habitar o nosso tempo”.
Ao longo de três dias, 28 convidados debaterão sobre o papel fulcral da literatura na sociedade, na memória e no espírito crítico, através de 13 sessões e oficinas, que decorrerão entre o Teatro Garcia de Resende, a Livraria Fonte de Letras e o Bar A Mandrágora. A entrada é gratuita, sujeita à lotação dos espaços e mediante levantamento prévio de bilhete.
Programação do Festival de Literaturas Afro-Ibero-Americanas
A sessão de abertura está marcada para 9 de outubro, às 15h30, no Teatro Garcia de Resende. Segue-se, às 16h00, a conversa “Escrever contra o Medo: Literatura e Democracia”, com Juan Gabriel Vásquez, Lídia Jorge e Ondjaki, moderada por Antonio Sáez Delgado.
Às 17h00, Afonso Cruz, Frederico Pedreira e Raquel Gaspar Silva participarão na sessão “Habitar a Paisagem: Escrevo onde Vivo, Vivo no que Escrevo”. Às 18h00, Anna Pacheco, Dulce Maria Cardoso e João de Melo encontram-se para conversar sobre “O Vagar como Rebelião: Literatura e Resistência”. O dia terminará às 19h00 com uma sessão de autógrafos.
O segundo dia iniciar-se-á com uma atividade dedicada ao público mais jovem, com a oficina de desenho “Depressa, Devagar”, conduzida por Joana Estrela na Livraria Fonte de Letras, às 10h30. A partir das 16h00, a programação regressará ao Teatro Garcia de Resende, com Tatiana Salem Levy, Juan Gabriel Vásquez e José Luís Peixoto como protagonistas da sessão intitulada “Cartografias do Encontro: Identidades e Cruzamentos”.
Logo a seguir, Aroa Moreno, Raquel Lima e Emiliano Monge darão voz a “Vagar pelo Tempo: Literatura e Memória”. Às 18h00 será a vez de “Mapas para um Outro Mundo: Centros, Periferias, Globalidade”, com Gonçalo M. Tavares, Sara Mesa e Tatiana Salem Levy. A noite terminará no Bar A Mandrágora, com uma sessão de spoken word “Vozes com Asas e Raízes”, de Raquel Lima. A jornada terminará às 19h00 com uma sessão de autógrafos.
No domingo, 11 de outubro, a Livraria Fonte de Letras dará novamente início à programação do dia. Às 11h00 receberá o atelier de literatura “As Histórias que Nos Ligam: Cultivar a Empatia através da Leitura e da Escrita”, orientado por Sara Rodi. A partir das 16h00, no Teatro Garcia de Resende, Lídia Jorge, Sara Mesa e Emiliano Monge debaterão sobre “A Disputa do Real: A Verdade, a Mentira, a Ficção e os Meios de Comunicação”.
Às 17h00 será a vez de Joana Bértholo, Manuel Rivas e Ondjaki refletirem sobre “Escutar (e Escrever) a Terra: Literatura e Natureza”, seguido de uma sessão de autógrafos. O encerramento do festival está marcado para as 19h00, com o concerto “Mapas de um Homem Triste”, de Luca Argel.


