No âmbito do turismo de saúde a nível global no ano de 2026, Portugal alcançou a 25.ª posição no ranking Top 50 Medical Tourism Destinations, impulsionado pela combinação de cuidados clínicos de alta tecnologia, custos competitivos na Europa e uma forte vertente de bem-estar termal e preventivo. Integrado nesta dinâmica encontra-se também o Turismo de Bem-Estar e Termalismo, contando Portugal com várias estâncias termais espalhadas por todo o país.
A RTVE transmitiu uma reportagem na qual denuncia o cada vez mais frequente fenómeno do «turismo de saúde» em Portugal. Apesar de contar com uma medicina competitiva e procurada por cidadãos estrangeiros, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) atravessa um dos seus momentos mais críticos, com queixas de falta de pagamentos, carência de profissionais e listas de espera intermináveis.
Segundo a reportagem, um dos serviços mais afetados por este fluxo é a obstetrícia. Grávidas provenientes dos PALOP ou da Ásia recorrem aos serviços de urgência hospitalar, muitas das vezes sem acompanhamento médico prévio. Grande parte destas mulheres chega ao país através de redes organizadas de apoio que as alojam nas grandes cidades, como é o caso de Lisboa. Além da obstetrícia e dos partos (situação que possibilita a obtenção da nacionalidade portuguesa pelas crianças), registam-se tratamentos na área da oncologia, cujos custos podem atingir centenas de milhares de euros. Portugal dispõe de instituições especializadas de referência nesta matéria, como é o caso do IPO (Instituto Português de Oncologia) e da Fundação Champalimaud.
Muitos dos estrangeiros que viajam para o país para receber tratamento no SNS (criado há mais de 40 anos) acabam por abandonar Portugal sem liquidar as despesas hospitalares. Devido a este fenómeno, um relatório aponta para a existência de 150 mil faturas por pagar acumuladas nos últimos três anos.
Em paralelo com a emissão desta reportagem, a Assembleia da República aprovou uma iniciativa (impulsionada pelos partidos de direita) que pretende endurecer as regras de acesso ao SNS a não residentes. Para usufruírem deste serviço, os estrangeiros deverão apresentar comprovativos de residência e seguros de saúde válidos, de modo a pôr fim, conforme debatido no parlamento, ao uso oportunista do serviço público de saúde gratuito sem a posterior regularização dos custos.


