Na semana em que ganhou o prémio europeu Sakarov (ao lado de Edmundo Gonzalez, que atualmente está em Madrid) para os direitos humanos, Maria Corina Machado foi entrevistada pela RTP. A líder da oposição venezuelana, a nova «dama de ferro» da América latina, tem antepassados portugueses por parte do pai. Este facto foi lembrado por Maria Corina que lamentou que o governo português ainda não tenha reconhecido a vitória de Edmundo Gonzalez, ao contrário do governo de Itália que já o fez. Para os comentadores, o governo português fez bem em ainda não reconheceu esta vitória para defender a vasta comunidade que têm no país. Estamos a falar de um milhão de pessoas e Maria Corina Machado avançou que existem presos políticos com passaporte português. Estão a ser feitos muitos paralelismos entre o que a Venezuela e Moçambique estão a viver depois de terem ido a eleições onde ambos os opositores afirmam ter ganho.
Entrevista que aconteceu após a pequena polémica que envolveu a líder da oposição e o embaixador português no país que pediu que a vasta comunidade portuguesa que reside na Venezuela não se meta em questões políticas. Estas afirmações foram lamentadas por Maria Corina Machado nas redes sociais. A líder da oposição Venezuela na entrevista que deu disse saber que conta com o apoio do povo português mas gostava de uma maior ação do governo de Lisboa. Já vários partidos portugueses pediram que o país reconhecesse a vitória de Edmundo Gonzalez nas últimas eleições.
Durante a conversa com a estação pública, Maria Corina Machado reafirmou que continua no país (está na clandestinidade) e que estão a trabalhar para que Edmundo González tome posse com presidente da Venezuela a 10 de Janeiro. Ela deverá ser a vice e nega ter medo de possíveis ações judiciais contra ela ou contra o antigo embaixador que avançou para o pleito político depois de ela ter sido proibida de o fazer pelo regime de Maduro. Que entretanto perdeu o apoio de dois líderes socialistas americanos, Petro da Colômbia e Lula do Brasil. Maduro, que é considerado como líder de um cartel de narcotráfico para o território europeu, ganhou um novo fôlego como produtor energético em vez da sancionada Rússia.
Durante a conversa, Maria Corina Machado defendeu que «o regime nunca esteve tão fragilizado» e muito devido aos principais parceiros de Caracas, Irão e a Rússia, terem sofrido um rude golpe com a queda do regime Sírio. Para a líder da oposição, este é o momento de mudar o rumo do país e para isto conta com a comunidade internacional democrática. Também disse que tem militares de todas as patentes do seu lado. Será que não Venezuela poderemos ver uma saída a portuguesa (com intervenção militar) ou espanhola (com uma transição, algo que Maria Corina Machado disse que poderia acontecer) ou não vai acontecer nada e Edmundo Gonzalez vai se tornar num novo Juan Guaido? A 10 de Janeiro de 2025 vamos o ver.