Foi a partir do Palácio de Belém que Marcelo Rebelo de Sousa, e todos os portugueses, souberam que o país irá a uma segunda volta, que deverá acontecer dentro de um três semanas. Segundo as sondagens a «boca de urna», o socialista António José Seguro foi o vencedor com uma margem de erro que pode ir ao máximo dos 35%. Seguro soube que ganhou e nas Caldas da Rainha tinha ao seu lado não só os jovens mas também alguns históricos do seu partido, como é o caso de João Soares. Seguro caminhou para a sua sede de campanha a pé, já que fica na rua da sua casa, e na chegada deu os «parabéns a todos os portugueses». A candidatura de Seguro apareceu antes do apoio formal do PS. Foi muito além do que as sondagens apontavam até há umas semanas.
Prometeu futuras declarações quando os resultados forem oficiais. O lema da campanha foi «Votem pelo Seguro» e a prudência marcou as suas declarações. Dos cinco candidatos favoritos, Seguro era o visto como o «menos favorito» nesta corrida que não será um sprint mas sim uma maratona a dois. A grande luta foi entre os outros dois candidatos, André Ventura e João Cotrim Figueiredo. O líder do Chega é o que apresenta melhores condições para passar a uma segunda volta, mas Contrim Figueiredo conseguiu atrair para si tanto o voto dos mais jovens como de um eleitorado que habitualmente vota no PSD. O que pode explicar muita coisa. Vistos, logo no início, como os dois nomes mais fortes, Luís Marques Mendes e Henrique Gouveia e Melo ficaram fora da possibilidade de passarem a uma segunda volta. Onde o desafio será outro para os dois que passarem.
Marques Mendes poderá ter um terço dos votos que o PSD teve nas mais recentes legislativas. Marques Mendes deve ter o pior resultado de sempre de um candidato apoiado pelo governo (o pior tinha acontecido em 2001). «Um dia muito importante para a democracia». Foi desta forma que muitos descreveram a eleição para escolher o novo presidente da República. O sexto desde que houve a revolução dos cravos.
As eleições mais concorridas de sempre mas com Seguro a espera do seu oponente para a segunda volta
Estas foram as eleições presidenciais mais concorridas desde a volta da democracia, já que 11 candidatos viram os seus nomes nos boletins de voto (as mesas fecharam às 20 horas tanto nos Açores como no estrangeiro). O primeiro presidente eleito após o 25 de Abril de 1974, Ramalho Eanes, também votou e assumiu estar preocupado com a situação não só em Portugal mas também no mundo.
A abstenção poderá ir até aos 43% (no máximo) mas a afluência aumentou, comparando com as presidenciais de 2021. Altura em que ainda estávamos presos em casa devido a pandemia de COVID-19. Há duas décadas que tanta gente não votava para escolher um presidente da República.
Tanto dentro e fora do país existiram algumas críticas, desde haver nos boletins de voto três nomes que não estavam elegíveis (os votos nestes candidatos foram considerados nulos) ou os portugueses terem que ir de um lado para o outro para poderem votar (os portugueses que vivem nas ilhas francesas do Pacífico tinham que voar para Paris). Depois de se saber quem será o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa, um dos trabalhos que o ocupante do Palácio de Belém terá que ter é decidir quem será o representante da República nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores.

