Uma centena de guineenses estiveram em frente da CPLP para pedirem uma intervenção decisiva e urgente da organização em Bissau. Depois do golpe de estado na Guiné-Bissau, que aconteceu depois das eleições (nunca se soube quem ganhou), a CPLP reuniu-se de emergência as suas representações permanentes e emitiu um comunicado onde condenou «qualquer tomada do poder por via da força». Também demonstraram a sua total solidariedade com o povo guineense. A CPLP é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. A Guiné-Bissau é quem tem a presidência rotativa deste grupo. A União Africana, presidida por João Lourenço, suspendeu a Guiné-Bissau e pediu que se respeite a vontade dos eleitores. O primeiro-ministro senegalês considera golpe de Estado “uma combinação”.
O general Horta Inta-A foi empossado Presidente de transição da Guiné-Bissau. A junta militar já indicou um novo chefe de Estado e outras figuras que já faziam parte do regime de Sissoco Embalo. Especialistas em assuntos africanos acreditam que a CPLP já devia ter acionado os seus estatutos devido ao golpe de Estado e não «correr atrás do prejuízo». Para além disto defendem que a CPLP, os governos e a União Europeia deviam ter uma atuação conjunta. Há apenas três semanas, numa entrevista a um meio africano, Umaro Sissoco Embalo tinha atacado Portugal dizendo que Lisboa era hostil com Bissau por ele ser muçulmano.
O atual regime militar tinha suspendido a emissão das rádios, o que levou os Repórteres Sem Fronteiras a denunciarem censura. Umaro Sissoco Embalo já tinha proibido o trabalho dos jornalistas da RTP e da Lusa no país. A Embaixada portuguesa suspendeu os seus atos consulares. O PAIGC acredita que estamos perante um «falso golpe». Marcelo Rebelo de Sousa falou com o antigo presidente da Guiné-Bissau que lhe garantiu estar bem de saúde. Paulo Rangel diz que a comunidade portuguesa está «perfeitamente calma». A Guiné-Bissau foi a primeira colónia portuguesa em África a tornar-se independente, ainda em 1973.
Segundo meios de imprensa internacionais, o presidente deposto, Umaro Sissoco Embalo, chegou ao Congo depois de primeiramente ter procurado refúgio no Senegal. A ONU denunciou 18 detenções arbitrárias na Guiné-Bissau e volta a pedir respeito pelos Direitos Humanos. António Guterres já tinha demonstrado a sua preocupação por aquilo que estava a acontecer em Bissau. A sede do PAIGC, um dos partidos que lutou pela independência não só de Cabo verde mas também da Guiné-Bissau, foi tomada por homens «fortemente armados». O partido exigiu a restituição da sua sede nacional.

