A Venezuela tem feito capas em todo o mundo, mas meses antes tivemos um país lusófono que teve um golpe de Estado e desde então a repressão não tem diminuído. Estamos a falar da Guiné-Bissau.
O comando militar, que tomou posse do poder depois da deposição de Umaro Sissoco Embalo, proibiu todo o tipo de conferências de imprensa, não autorizadas, no país. Uma delegação da CEDEAO, que entretanto já abandonou Bissau, exigiu uma transição breve liderada por um Governo inclusivo. Isto para que a democracia volte ao país. Desde o golpe de Estado, a Guiné-Bissau foi afastada de várias organizações, tanto a CEDEAO como a CPLP.
Para o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, é necessário que o governo da Guiné-Bissau liberte os presos políticos para que a suspensão deste país da CPLP. Estas declarações foram prestadas por Rangel após uma visita a sede da CPLP, em Lisboa. A organização decidiu criar uma Missão de Bons Ofícios de Alto Nível, a enviar para a Guiné-Bissau.
Guiné-Bissau foi suspensa da CPLP depois do golpe de Estado
A suspensão da Guiné-Bissau, que na altura do golpe presidia à CPLP, levou a que um outro Estado-membro assumisse esta direção: Timor-Leste. Para Paulo Rangel, ainda é cedo para que a Guiné Equatorial (que está a fazer uma nova capital) tenha a presidência rotativa da CPLP. O ministro dos negócios estrangeiros de Timor-Leste, Bendito Freitas, também esteve presente em Lisboa para discutir a presidência que o seu país agora começa desta organização. Ainda não se sabe as linhas da presidência de Timor da organização dos países lusófonos. Esta presidência vai estar ativa entre os anos de 2026 e 2027. Integram a CPLP, que assinala este ano o 30.º aniversário, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros de Portugal e de Timor-Leste reuniram-se para falar não só sobre as relações bilaterais entre os dois países mas também sobre a situação que a Guiné-Bissau vive nos últimos meses. Em Portugal, o responsável pela diplomacia de Timor também tinha encontro marcado com o prémio Nobel da Paz, bispo Ximenes Belo. O presidente de Timor-Leste, Ramos Horta, também já apelou a que a Guiné-Bissau volte ao caminho da democracia.
Alguns dos detidos na sequência do golpe de Estado de Novembro já foram libertados mas Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC, continua detido. Devido ao golpe de Estado, nunca se soube quem ganhou as eleições na Guiné-Bissau mas a oposição pede o reconhecimento de Fernando Dinis como o presidente eleito.

