Nos dias 25, 26 e 27 de julho, o Campo de Jogos Francisco Gomes Socorro, em Vila Real de Santo António, acolheu a primeira edição do Lusitano Summer Fest ‘25 Business Expo. Durante três dias, o recinto desportivo do Lusitano Futebol Clube encheu-se de uma variada oferta gastronómica, de diversos expositores ligados ao comércio local e de uma rica programação musical, cuja cabeça de cartaz foi a conceituada fadista Sara Correia.
O festival foi uma iniciativa promovida pelo Lusitano F.C., em colaboração com a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia de Vila Real de Santo António, com o objetivo de “valorizar o melhor da nossa terra, das nossas gentes e do talento nacional”, destacou Álvaro Araújo, presidente da Câmara Municipal. Um evento pago que os organizadores ambicionam tornar anual, ponderando, já para a próxima edição, a possibilidade de convidar artistas espanhóis.

Sara Correia, “fadista do povo”
Sara Correia é, atualmente, um dos nomes incontornáveis do fado em Portugal. Como a própria reconhece, este género entrou na sua vida fazendo jus ao seu significado literal, isto é, como fruto do destino: cresceu num ambiente onde esta expressão musical era presença constante – de facto, a sua tia, Joana Correia, também ela fadista, foi uma das suas primeiras influências. Foi, por isso, apenas uma questão de tempo até começar a pisar as casas de fado: com 9 anos deu os primeiros passos em palco, e aos 13 venceu o Grande Prémio do Fado.
Com uma profunda pureza vocal capaz de chegar à alma de quem a escuta, Sara dá corpo a interpretações carregadas de emoção. Na sua voz transparece o peso das vivências que a converteram na pessoa que é hoje. Porque falar de Sara Correia é falar de autenticidade e de verdade. É, igualmente, falar de composições que ecoam a sua própria vida; uma vida marcada por desafios, uma infância difícil e origens humildes no bairro Chelas. Foi neste contexto que se forjaram a firmeza e a segurança com que hoje interpreta cada verso.
Diz-se que quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto e, com o fado, não é diferente. Pelo cantar do fado, cada fadista canta a sua forma de vida. No caso de Sara Correia, o seu enorme respeito pelos grandes nomes deste género levou-a a integrar a sua voz no cânone tradicional – como exemplifica a canção Liberdade, baseada no Fado Cravo, de Alfredo Marceneiro –, ao mesmo tempo que compõe a sua própria identidade musical através de temas originais que espelham recantos da sua alma.
Sara Correia interpreta ‘Madrugou’ no Lusitano Summer Fest ’25, em Vila Real de Santo António. pic.twitter.com/Zq2Dcmz65z
— El Trapezio (@elTrapezio) July 29, 2025
Assim o ilustram os temas Madrugou, uma celebração à mulher enquanto força da natureza, ou Chelas, obra em que a fadista manifesta não só o seu orgulho pelo bairro que a viu crescer, mas também reflete sobre as dicotomias que marcam a sua vida, como o desafio diário de preservar a sua essência e humildade perante o eco crescente da fama.
Durante a atuação do dia 25 de julho, Sara Correia reafirmou o seu amor pelo fado, pelas suas raízes e pelo povo, com toda a sinceridade do seu ser. Ao longo de uma hora e meia de concerto, a artista revisitou quase todo o seu repertório (desde o álbum de estreia homónimo até ao mais recente, + Liberdade), criando uma ligação dinâmica e envolvente com o público. Com uma voz que carrega a alma lisboeta, a fadista fez a plateia cantar, dançar e emocionar-se, intercalando momentos de intimidade com apontamentos de humor que tornaram a experiência ainda mais memorável.
Fotos de Catarina Castanheira