Marcelo Rebelo de Sousa cumpriu, pela última vez como presidente da República, a tradição natalícia de beber uma ginja no Barreiro. O candidato Marques Mendes já disse que fará algo semelhante, se for eleito, e que pretende voltar com as presidências abertas, ideia começada por Mário Soares.
Marques Mendes quer que a primeira seja em Trás-os-Montes, mas também levanta a possibilidade de levar as presidências abertas até às comunidades portuguesas que vivem no estrangeiro. As últimas semanas de campanha foram marcadas por uma polémica que envolvem os seus rendimentos, bem ao estilo do que já aconteceu com Luís Montenegro. Sobre este assunto, Marques Mendes e Gouveia e Melo acusam-se mutuamente de fazerem uma «campanha suja».
Ainda sobre as alterações a Lei do Trabalho, a candidata presidencial Catarina Martins critica o presidente da República por ter feito um autêntico «bar aberto» para que a ilegalidade dos trabalhadores aumente. Ainda a esquerda, o candidato socialista António José Seguro oriente «relações adultas entre todos os órgãos de soberania» e diz que desde o fim dos debates tem sentido um aumento do «movimento de esperança». Ao contrário do defendido por outros candidatos, António Filipe (do PCP) diz que a Constituição não deve ser revista mas sim cumprida para defender todos os direitos fundamentais que começam a ser postos em causa.
Debate final conjunto no Dia de Reis
Haverá um debate final, a 6 de Janeiro, com os 11 candidatos que cobcorren a Belém e que será transmitido pela RTP. Para o candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo, os assuntos de Estado não podem estar dependentes de campanhas eleitorais e disse mesmo que se fosse um dos conselheiros de Estado tinha pedido substituição para poder fazer a campanha presidencial. André Ventura, do Chega, tinha apelado, anteriormente, para que o Conselho de Estado (órgão consultivo da presidência da República) seja adiado para a semana seguinte a segunda volta para a presidenciais.
Segundo todas as sondagens, é quase certo que tenhamos uma segunda volta, quarenta anos depois da que opos Mário Soares (PS) a Diogo Freitas do Amaral (CDS). Gouveia e Melo também defendeu que um presidente deve ser independente e o seu percurso deve ser transparente. Cotrim Figueiredo considera que, apesar deste ser um período de eleições, os políticos devem ter uma visão reformista.
Os tempos de espera nos hospitais para os doentes urgentes estão, em muitos hospitais, a esperarem mais de dez horas para serem vistos. Sobre este assunto, Seguro crítica esta «situação inaceitável» na saúde e espera que a situação seja diferente no próximo Natal.
Na sua mensagem de Natal, Luís Montenegro pediu que os portugueses tenham uma mentalidade mais ao estilo do Cristiano Ronaldo. Por não falar sobre a saúde, e dizendo que a economia está boa (foi considerada a melhor do mundo pela The Economist), Ventura considera que a mensagem do PM foi «pouco empática e pouco feliz». Enquanto isto acontece, o primeiro-ministro Luís Montenegro está de férias com o poder nas mãos de Paulo Rangel e Miranda Sarmento.


