As presidenciais em Portugal raramente são previsíveis. Uma das últimas vezes aconteceu com Marcelo Rebelo de Sousa, que venceu os seus opositores com uma clara vantagem. A 18 de Janeiro, os portugueses vão votar e eleger aquele que acham ser o candidato com mais características presidenciais.
Os diferentes candidatos a Belém tem desenvolvido diversas estratégias, enquanto uns tentam se aproximar da população mais idosa outros andam pelos distritos mais populados do país.
Os candidatos presidenciais têm corrido o país de uma ponta a outra e o primeiro-ministro, Luís Montenegro, já apelou ao voto útil dos socialistas contra André Ventura e Henrique Gouveia e Melo. Também disse que votar em Cotrim Figueiredo ou Seguro não garante que «dois candidatos populistas» passem a uma segunda volta. Luís Marques Mendes, candidato apoiado pelo governo, considera normal que Montenegro participe na campanha.
Desde políticos a antigos presos, os candidatos aparecem com os seus diferentes apoiantes
António Filipe, do PCP, teve apoio de antigos presos políticos na visita que fez a histórica fortaleza de Peniche. Em pouco mais de 15 dias, os vários convidados vão percorrer todos os distritos de Portugal. Rui Rio, responsável pela campanha de Gouveia e Melo, diz que o antigo vice-almirante é o único que está acima dos interesses dos partidos políticos (já que não está ou esteve afiliado a nenhum). Gouveia e Melo quer ser uma influência positiva para o atual sistema. O mesmo Gouveia e Melo admitiu que fosse trabalhador também teria feito greve e acredita que a lentidão do governo sobre a situação da eutanásia funciona como uma espécie de veto presidencial.
Os primeiros dias do mês de Janeiro tem tido como temas em destaque na campanha de todos os candidatos questões como a imigração ou a Venezuela (neste país existe a segunda maior comunidade de portugueses na América Latina). As presidenciais de 1986 têm algumas semelhanças com o presente: enorme fragmentação parlamentar, governo minoritário e a esquerda dividida.
Tal como em 2026, as eleições em 1987 também acontecem num frio mês de Janeiro. Ao contrário desse período, e apesar de haver candidatas do sexo feminino, não existe uma voz como a de Maria de Lurdes Pintasilgo, que ainda é a única mulher a governar em Portugal. Em 2026, a política em Portugal está cada vez mais incerta e é quase certo que haverá uma segunda volta. Isto porque as sondagens apontam que os cinco primeiros candidatos têm condições para passarem a uma segunda volta, entre dois candidatos.
Marques Mendes acredita na vitória e pede uma maior celeridade para resolver o atual problema nas urgências. Gouveia e Melo desvaloriza a tendência de queda que tem tido nas sondagens. Antes das mesmas terem começado a ser feitas, Henrique Gouveia e Melo era visto como o grande favorito a vitória final.


