25/01/2026

Marcelo Rebelo de Sousa: «A integração europeia mudou a história nas relações com o nosso vizinho por terra»

O presidente português deixa recados: "Não há portugueses puros" e "quem tentar dividir pela força mundo em hemisférios irá falhar"

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Marcelo Rebelo de Sousa saludando a otros líderes en el Parlamento Europeo

O presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, discursou esta quarta-feira no Parlamento Europeu, na sessão comemorativa dos 40 anos da adesão de Portugal e Espanha à então Comunidade Económica Europeia (CEE), deixando vários recados – nomeadamente a Trump, Putin, e até aos nacionalismos. «Somos europeus desde as raízes. E estas raízes mesclaram-se logo à partida com as de outros continentes e outros universos. Por isso, não há portugueses puros, há portugueses diversos na sua riqueza cultural», afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, perante aplausos. «Somos europeus na língua, na cultura, na história e, porque europeus, universais», disse.

«O que há de verdadeiramente diferente e notável é que a integração europeia do século XX que culminou, na adesão há 40 anos, no mesmo dia da Espanha, com papel cimeiro de Mário Soares e Felipe González, veio mudar a história. Mudou a história europeia, mudou a história nas relações com o nosso vizinho por terra, mudou a nossa história, mudou para a liberdade, mudou para a democracia, mudou para o Estado de Direito, mudou para o desenvolvimento, mudou para a justiça social», continuou.

«É hoje moda do momento esquecer, minimizar, diminuir a Europa e o seu papel no mundo. Não percamos um segundo a hesitar, a duvidar, a autoflagelarmo-nos. Temos mais liberdade, democracia, Estado de Direito. Muitos de nós estão em lugar cimeiro do desenvolvimento humano e dos padrões de igualdade social», referiu, afirmando que a Europa é um «destino sonhado por tantos, de todos os continentes».

O presidente da República pediu que se reconstrua a Europa «sem medos, sem inibições, sem complexos». «Tudo o que se possa dizer das comunidades europeias, hoje UE, de crítico, falível, de errado, de insuficiente -que há muito- é nada comparado com aquilo que lhe devemos», disse.

Quem tentar dividir pela força mundo em hemisférios irá falhar

Marcelo defendeu que, hoje, não há quem consiga «refazer pela força a divisão do mundo em hemisférios como no passado» ou «resolver problemas do mundo sozinho». «Falhará quem o tente no século XXI, como falharam outros no século XX», acrescentou. Marcelo Rebelo de Sousa referia-se a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, no início de janeiro, afirmou que «o domínio americano no hemisfério ocidental nunca mais será questionado».

Novamente numa alusão a Trump, o presidente da República pediu que «não se invoque o bilateralismo, que verdadeiramente é unilateralismo -que é uma forma de enfraquecer o multilateralismo e as instituições internacionais- sem que quem deseja exercer essa hegemonia, esse controlo, tenha condições para o fazer como sonha ou afirma». O presidente da República avisa que não há como «ignorar a Europa», o seu poder «nos valores, na justiça social e na economia mundial porque a Europa ainda é e será sempre o berço da democracia, o farol das liberdades, o esteio do Estado de Direito, a referência do estado social».

«Nós, europeus, nunca mas nunca mesmo desistiremos do nosso papel fundamental no universo. Porque desistir do seu papel universal seria, para a Europa, desistir dos seus valores», continuou, perante os eurodeputados e o Rei de Espanha, que também discursou nesta sessão. «Por isso nós, portugueses, nunca, mas nunca mesmo desistiremos da Europa porque desistir da Europa seria, para Portugal, desistir de uma parte essencial e insubstituível de Portugal».