Há cerca de um mês vemos, no rodapé do jornal, que Moçambique está a sofrer com cheias graves e que a União Europeia já enviou dois aviões com assistência, pois é preciso um pouco de tudo. E tal como o Marquês de Pombal já dizia, depois de tratar dos feridos e dos mortos é necessário ver o que se pode recuperar.
Lemos sobre esta notícia e pensamos que este problema está lá longe, em África, mas a verdade é que a emergência climática está ativa um pouco em todo o lado, desde os nevões nos Estados Unidos e no Canadá ou aos ventos fortes na Turquia ou aqui mesmo em Portugal. Desde o início do inverno, o país tem sido «bombardeado» com cada vez mais períodos de tempo extremo. Se no verão é a seca e os incêndios, agora temos o vento e a chuva. A Comissão Europeia avança menos que Portugal tem sido um dos países mais afetados com as alterações climáticas. Estas trazem impactos em todas as áreas da vida humana e incluindo na economia. Há mortos e estragos avultados a serem reportados. Tudo isto está a acontecer com a Assembleia da República a debater a nova Lei de Bases do Clima, proposta pelo IL e vetada pelo PSD.
Com o ritmo em que temos tido tempestade não vai sobrar letras no alfabeto para nomear tantas tempestades e depressões. A mais recente foi a Kristin mas não vai ficar por aí pois já se está a avisar para períodos de chuva intensa depois de rajadas de vento que andaram na casa dos 200 kms por hora. Ainda antes da Kristin chegar já se falava que as barras estariam em alerta vermelho e que se estava a pensar na possibilidade de encerrar infraestruturas como a ponte 25 de Abril mas poucos pensaram que a depressão ia atingir o país desta forma e provocar tantas depressões (péssima piada, eu sei). E isto tudo a apenas uma semana da segunda volta das eleições para a presidência da República, com Seguro a ir a Leiria para ver os estragos e Ventura a criticar Marcelo Rebelo de Sousa por não estar no terreno (ao contrário de Luís Montenegro e dos restantes ministros). Von der Leyen já demonstrou a sua solidariedade com os afetados e o comissário europeu com a pasta da energia e do ambiente esteve ao lado dos ministros nas zonas afetadas.
Sem eletricidade, água ou comunicações, muitas pessoas estão a optar por planos alternativos, como é ir às bibliotecas municipais para alertarem as famílias que estão bem. Isto porque com telhas arrancadas e árvores caídas no meio do chão, a expressão «zona de guerra» tem sido uma das mais utilizadas. Tal como no apagão, muita gente está a ter informação graças à rádio. Enquanto vêm os serviços mínimos a serem repostos gradualmente.
Em várias zonas estão a ser feitas recolhas de bens diversos, desde comida enlatada ou lonas (para tapar os telhados antes que os mesmos possam ser arranjados). A DGS está a pedir que as pessoas tenham cuidado com os alimentos e água e que não entrem em contacto com as águas das cheias para prevenir um possível problema de saúde pública. Bombeiros de vários zonas do país, como é o caso do Alentejo ou de Lisboa, estão a ajudar as populações das zonas mais afetadas a limpar os destroços. Os militares estão a fazer o mesmo.
Mesmo depois da pior parte já ter passado, o que não caiu está frágil e com as terras cheias de água há muitas árvores que estão a cair com o próprio peso. Os meteorologistas alertam que estas situações passaram a ser regulares e se deveria ter um plano de resposta para estes casos.
Nas zonas mais afetadas, que ficam em especial na zona oeste, foi decretado o estado de calamidade (que não era instalado desde a pandemia de COVID-19). Estamos a falar de 60 municípios mas o estado pode ser colocado em outros devido a subida de rios como o Mondego, Douro ou o Tejo. Apesar da situação complicada, o presidente da câmara do Porto acredita que as populações devem agradecer a Proteção Civil por não ter sido ainda pior.
Com Coimbra, ou Alcácer do Sal, Leiria é uma das zonas mais afetadas com o mau tempo e haverá uma campanha de limpeza voluntária para limpar a cidade que é capital de um distrito que leva o seu nome. Esta limpeza promete juntar muitos voluntários, basta que as vias para chegarem à cidade estejam limpas. A zona de Leiria estão a chegar geradores de eletricidade de vários sítios, incluindo do sul de Espanha.
Andreia Rodrigues


