Uma pesquisa junto dos cidadãos da lusofonia demonstra que a maioria tem como sonho viver em Portugal e olha para o Brasil como um referente cultural. Quando questionados sobre em que países viveriam para além do seu, 62% escolheram Portugal como a primeira opção, apesar de os estrangeiros sentirem que o país se está a «fechar cada vez mais», muito devido ao crescimento dos ideais de direita. O segundo lugar ficou para o Brasil, com 32% dos inquiridos a responderem que gostariam de viver no país de Lula da Silva.
Quando falamos de exportação cultural, o Brasil é visto como o maior da lusofonia, com 68% de preferência. As novelas e o sucesso internacional do cinema são alguns dos produtos que o Brasil tem dado ao mundo. Curiosamente, o Brasil é o que menos consome produtos mediáticos de outros países lusófonos, enquanto Moçambique é o que mais consome cultura de outros países de língua portuguesa. Portugal surge em segundo lugar com 56%, o que, em parte, se pode explicar pelos grandes escritores, como Saramago ou Pessoa.
Em relação ao desporto, e apesar do pentacampeonato do Brasil, os lusófonos preferem acompanhar os clubes portugueses que disputam as competições europeias. O futebol brasileiro é apenas seguido por 31% dos inquiridos.
Cabo Verde: democracia e Igualdade
No quesito democracia, o caso de Cabo Verde merece destaque. O país é um dos poucos Estados africanos a pontuar bem no V-Dem, o principal ranking mundial sobre qualidade democrática. Está na mesma categoria de Portugal e do Brasil no que toca à democracia eleitoral. Este Barómetro também indica que Cabo Verde é o país lusófono com a maior percentagem de mulheres no parlamento e o segundo melhor no índice de igualdade de género, ficando apenas atrás de Portugal. Já os portugueses e brasileiros são os que mais se queixam das fake news.
Estas são algumas das conclusões do Barómetro da Lusofonia, uma pesquisa conduzida pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Económicas (Ipespe), de São Paulo. A apresentação dos resultados ocorreu na sede da CPLP, em Lisboa.
Atualmente, são nove os países, em quatro continentes, que integram a CPLP. Estas comunidades partilham desafios comuns, como a saúde, educação e o desemprego, num universo que abrange 300 milhões de habitantes.


