Num vídeo do YouTube, um influenciador (creio que alemão) falava sobre como uma liga ibérica de futebol seria a segunda mais lucrativa do continente europeu, ficando apenas atrás da Premier League britânica. Seria um campeonato capaz de atrair a atenção de vários mercados, incluindo o ibero-americano e o lusófono. Há inúmeros exemplos de equipas de um país a jogarem no campeonato de outro, como acontece com os clubes do Canadá na MLS dos Estados Unidos. Ainda sobre os Estados Unidos, a MLS e a Liga MX têm uma competição onde as equipas de ambos os países se enfrentam (criada com o espírito do Mundial 2026, que acontece já este verão).
Passando para o hóquei no gelo (embora em Portugal o hóquei em patins tenha mais mediatismo), já existe um campeonato ibérico que terminou recentemente. Falámos sobre o mesmo no EL TRAPÉZIO, mas é necessário um maior foco mediático neste e noutros desportos para que os mesmos cresçam e possamos ser gigantes — como já o somos no futsal (basta ver quais foram as duas seleções presentes na final do último Europeu).
Com o interesse das televisões em emitirem os jogos deste hipotético campeonato, as equipas participantes teriam mais fundos para contratar jogadores de renome. Os clubes portugueses, especialmente os «três grandes», são mais vendedores do que compradores, e há inúmeros exemplos de estrelas do futebol mundial que saíram da Liga Portuguesa para o mundo. Raphinha (Barcelona), Vitinha (PSG) ou Pedro Neto (Chelsea) são apenas alguns dos exemplos mais recentes. Recuando no tempo, vemos dois jovens, Cristiano Ronaldo e Paulo Futre, que fizeram carreira no estrangeiro e se tornaram figuras maiores em duas equipas de Madrid: o Real e o Atlético, respetivamente.
Já existiu uma Taça Ibérica e os presidentes das duas federações, tendo o Mundial 2030 no horizonte, levantam a possibilidade de retomar uma competição semelhante. Não há data para a sua implementação, mas deverá seguir o modelo de final four, como na Liga das Nações (com as duas melhores equipas de cada país). Esta competição poderia ocorrer no verão, servindo de pré-época antes do início das competições oficiais em ambos os lados da fronteira. Mas, por enquanto, é uma ideia que ainda não saiu do papel.
Usando o vídeo como base e o novo olhar que o EL TRAPÉZIO dedica ao desporto ibérico, imaginemos como seria esse campeonato. Tal como o influenciador sugeriu, a liga teria 20 equipas, com quatro a descerem no fim de cada temporada (duas de cada país). No que toca às subidas, seriam também quatro (duas por país).
As primeiras quatro equipas do lado português seriam o Benfica, Sporting, Porto e Braga. Do lado espanhol, teríamos Real Madrid, Atlético de Madrid, Barcelona e Athletic Bilbao. Aqui estariam os oito candidatos crónicos ao título. Se do lado português contaríamos com promessas como o benfiquista Anísio Cabral ou o portista Rodrigo Mora, do lado espanhol teríamos estrelas consagradas como Mbappé ou Lamine Yamal. As restantes vagas seriam divididas: seis para cada lado, correspondentes aos primeiros classificados de cada campeonato nacional (excluindo os quatro já mencionados).
Participantes portugueses: Gil Vicente, FC Famalicão, Estoril Praia, Moreirense FC, Vitória SC e FC Alverca. No lote português não figuram equipas dos arquipélagos e as formações da Grande Lisboa são as que estão mais a sul (tal como acontece na Liga atual, onde há anos não temos equipas de zonas como o Alentejo).
Participantes espanhóis: Villarreal CF, Real Betis, Celta de Vigo, RCD Espanyol, Real Sociedad e CA Osasuna. Neste grupo temos representantes da Galiza, Catalunha ou um dos gigantes de Sevilha. Se este campeonato tivesse sucesso, poderíamos, no futuro, incluir um representante de Andorra.
Andreia Rodrigues


