A 36.ª Cimeira Ibérica, realizada em Huelva, reuniu Luís Montenegro e Pedro Sánchez, acompanhados por um total de 18 ministros. Estiveram presentes responsáveis por pastas cruciais como o Ambiente e os Negócios Estrangeiros. O encontro ocorreu num momento em que os dois países vizinhos adotaram posturas diferentes em relação ao ataque contra o Irão. Montenegro garantiu que a relação com Espanha é «inquestionável» e que existe um «respeito total» pela diferença de posições. Na declaração final, os ataques ao Irão foram condenados, mas omitiu-se a posição americana.
Devido à subida dos preços decorrente da guerra, o Governo de Lisboa aplicará um desconto extraordinário de 3,55 cêntimos por litro, face à possibilidade de o gasóleo subir até 20 cêntimos. Sobre um eventual bloqueio económico de Washington a Madrid, o presidente do PS Açores considera «impossível que Portugal não seja afetado«, dada a profunda interdependência entre os dois países ibéricos.
Um dos resultados práticos desta Cimeira é a criação de um sistema de aviso à população para cheias em zonas fronteiriças. Antes do início dos trabalhos, foram recordadas as vítimas do acidente ferroviário e das chuvas intensas que atingiram a Península. A aliança ibérica pretende combater as alterações climáticas, sendo que as energias renováveis, a integração das redes elétricas e a ligação ao resto da Europa foram definidas como pilares essenciais para a competitividade.
Passos Coelho começa a «assombrar» Luís Montenegro
Luís Montenegro, enquanto Primeiro-Ministro e líder do PSD, marcou eleições diretas para maio, numa altura em que Pedro Passos Coelho ganha novo fôlego mediático e é visto como uma possibilidade para refundar a direita. Passos Coelho garante que, por enquanto, não é candidato a nada, recomendando a Montenegro que se concentre na sua missão executiva.
O chefe de Estado cessante, Marcelo Rebelo de Sousa, o «Presidente dos afetos», inaugurou o seu retrato oficial, da autoria de Vhils, simbolizando o «triunfo da democracia«. Na despedida, Marcelo destacou a boa relação com os dois chefes de governo com quem cooperou: António Costa e Luís Montenegro. Na sua última conversa com os jornalistas, lamentou que a «democracia tenha perdido a voz«. Após dez anos de mandato, apenas os simpatizantes do Chega dão uma nota negativa à sua presidência.
Apesar de pertencerem a quadrantes políticos diferentes, a partir do dia 9 de março, Montenegro e António José Seguro (o novo presidente) estão «condenados a entender-se» em prol da estabilidade do país.


