Obras como «Memorial do Convento» e «O Ano da Morte de Ricardo Reis» vão deixar de ser de leitura obrigatória no 12.º ano. Até ao momento, estas duas obras eram essenciais no currículo dos estudantes em Portugal. A partir de agora, os docentes terão de escolher entre uma das obras do único Nobel da Literatura português e outra do autor Mário de Carvalho. Para além destes autores, quem pretenda concluir o 12.º ano em Portugal terá de ler Fernando Pessoa. No que toca ao 11.º ano, mantêm-se os livros «Sermão de Santo António aos Peixes», do Padre António Vieira, «Frei Luís de Sousa», de Almeida Garrett, e as obras de Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco ou Antero de Quental, alguns dos grandes nomes da literatura portuguesa.
O documento para as alterações está em consulta pública até ao dia 28 de abril. O objetivo desta reforma é que os alunos dediquem mais tempo à leitura, num período em que se considera que os estudantes exercitam cada vez menos o pensamento crítico.
Sobre a possível retirada das obras de Saramago do ensino obrigatório, a Fundação José Saramago questionou os critérios do Governo para esta decisão. A fundação recorda que procura sempre agregar e não comparar, mas questionou qual o critério para retirar o carácter obrigatório à obra do Nobel português das aprendizagens essenciais. No final do comunicado emitido, evocaram o desfecho do discurso de agradecimento de Saramago, que dedicou o prémio «aos escritores portugueses e de língua portuguesa, aos do passado e aos de agora».
Um dos novos nomes da literatura portuguesa, e descendente de Eça de Queirós, o escritor Afonso Reis Cabral vai participar, no dia 29 de abril, na «Aula de Literatura ‘José Antonio Gabriel y Galán'», uma iniciativa dinamizada pela Associação de Escritores da Extremadura.


