Governo levanta a possibilidade de retirar as obras de Saramago do currículo obrigatório do 12° ano de português

A Fundação José Saramago questiona os critérios que o governo levanta para a retirada de Saramago da lista de obras obrigatórias

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Retrato de un autor reflexionando en su escritorio
El gobierno de Portugal ha propuesto retirar las obras de José Saramago del currículo obligatorio del 12° año. Esta decisión ha generado debate sobre la importancia de la literatura en la educación. La Fundación José Saramago ha cuestionado los criterios detrás de esta reforma, buscando preservar el legado del Nobel de Literatura.

Obras como «Memorial do Convento» e «O Ano da Morte de Ricardo Reis» vão deixar de ser de leitura obrigatória no 12.º ano. Até ao momento, estas duas obras eram essenciais no currículo dos estudantes em Portugal. A partir de agora, os docentes terão de escolher entre uma das obras do único Nobel da Literatura português e outra do autor Mário de Carvalho. Para além destes autores, quem pretenda concluir o 12.º ano em Portugal terá de ler Fernando Pessoa. No que toca ao 11.º ano, mantêm-se os livros «Sermão de Santo António aos Peixes», do Padre António Vieira, «Frei Luís de Sousa», de Almeida Garrett, e as obras de Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco ou Antero de Quental, alguns dos grandes nomes da literatura portuguesa.

O documento para as alterações está em consulta pública até ao dia 28 de abril. O objetivo desta reforma é que os alunos dediquem mais tempo à leitura, num período em que se considera que os estudantes exercitam cada vez menos o pensamento crítico.

Sobre a possível retirada das obras de Saramago do ensino obrigatório, a Fundação José Saramago questionou os critérios do Governo para esta decisão. A fundação recorda que procura sempre agregar e não comparar, mas questionou qual o critério para retirar o carácter obrigatório à obra do Nobel português das aprendizagens essenciais. No final do comunicado emitido, evocaram o desfecho do discurso de agradecimento de Saramago, que dedicou o prémio «aos escritores portugueses e de língua portuguesa, aos do passado e aos de agora».

Um dos novos nomes da literatura portuguesa, e descendente de Eça de Queirós, o escritor Afonso Reis Cabral vai participar, no dia 29 de abril, na «Aula de Literatura ‘José Antonio Gabriel y Galán'», uma iniciativa dinamizada pela Associação de Escritores da Extremadura.