Antes dos discursos oficiais, e aproveitando que a cerimónia do 10 de Junho foi nos Açores, onde a base das Lajes foi usada pelo Exército americano para atacar o Irão, os militares desfilaram. O presidente da República lembrou a coragem e o espírito de missão das Forças Armadas, elementos que foram essenciais em vários momentos da história de Portugal, como foi o caso do 25 de Abril de 1974. A defesa da paz exige resiliência. Nas ruas de Angra do Heroísmo, o presidente da República foi amplamente saudado pela população e disse que este mandato vai durar 5 anos, pelo que ainda não está a pensar em novas eleições.
Antes de chegar aos Açores, Seguro e Montenegro mantiveram o hábito que Marcelo costumava praticar e começaram as comemorações do 10 de Junho no Luxemburgo, junto da vasta comunidade portuguesa existente naquele país. Seguro defendeu a força da língua para aproximar o que é ser não apenas português, mas lusófono. Contudo, os professores de português no estrangeiro estão contra o novo regime que pode aumentar a precariedade. A realização das comemorações na ilha Terceira, nos Açores, demonstra que a coesão territorial «não pode ser um mero chavão». O presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, defendeu que os discursos proferidos enfatizam a dimensão deste arquipélago.
O 10 de Junho, feriado nacional, é, a nível mundial, a única comemoração de um país que junta o nome de um escritor, Camões, à vasta diáspora que esta nação, com um pouco mais de 10 milhões de habitantes, tem espalhada pelos quatro cantos do mundo.
Antes do 10 de Junho, Monjardino tinha pedido a Seguro que realizasse o seu primeiro discurso como presidente da República de Portugal ao estilo de Carney, primeiro-ministro do Canadá. O responsável pelo 10 de Junho nos Açores foi Miguel Monjardino, que no seu discurso defendeu que a «coragem é liberdade e liberdade é coragem». Todas as nações livres não devem ter medo, mas devem estar prevenidas e preparadas para aquilo que o futuro pode trazer.
Seguro apela à unidade nacional
No seu primeiro discurso como presidente da República, onde esteve acompanhado por Luís Montenegro, António José Seguro pediu um maior diálogo «em tempo de trincheiras» e «coragem para fazer as escolhas certas». Neste primeiro 10 de Junho juntos, Seguro e Montenegro pareceram viver uma lua de mel, surgindo unidos para celebrarem mais um feriado nacional.
Para fixar os jovens no país, Seguro pede mudanças no mercado de trabalho e na habitação, lamentando que tanto o Estado como as empresas não tenham conseguido acompanhar a inovação. Todos os partidos se demonstraram a favor deste discurso, no qual Seguro apelou à unidade nacional. Para Marcelo Rebelo de Sousa, o discurso do presidente Seguro foi «excecional». Os jovens portugueses são dos europeus que mais tarde saem da casa dos pais. Já na visita a Espanha, Seguro demonstrou a vontade que tem de que os jovens portugueses voltem ao seu país de origem.
No seu discurso, Seguro também referiu os direitos humanos e uma «relação de equilíbrio» com os vários aliados que o país tem. Aproveitando esta data, em que também houve o último amigável da Seleção Portuguesa contra a Nigéria, antes do Mundial 2026, existiram igualmente manifestações contra o racismo em cidades como Lisboa e o Porto.


