António Guterres participa na sua última Assembleia-Geral como secretário-geral da ONU

Luís Montenegro volta a representar Portugal, que vai integrar o Conselho de Segurança da ONU

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António Guterres durante a Assembleia-Geral da ONU, expressando suas ideias.

O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, vai participar na 81.ª sessão da Assembleia-Geral da ONU, na qual marcam presença 193 países. Os trabalhos têm início já na próxima terça-feira. A última reunião magna com António Guterres ao leme tem como tema «Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação». O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, fará o tradicional discurso de abertura do debate geral no dia 22 de setembro.

António Guterres foi o primeiro português a ocupar o mais alto cargo da diplomacia internacional. Luís Montenegro aproveita a deslocação a Nova Iorque para se reunir com o antigo primeiro-ministro socialista, pretendendo agradecer-lhe pessoalmente o empenho demonstrado ao longo dos seus dois mandatos na defesa da Carta da ONU e do multilateralismo.

António Guterres já anunciou que regressará a Portugal assim que terminar o seu mandato como Secretário-Geral da ONU. Ao longo do seu percurso, teve de lidar com uma profunda divisão entre blocos e com o desafio de liderar a organização numa era de forte fragmentação geopolítica. O balanço dos seus dez anos de mandato divide opiniões: se, por um lado, foi a voz mais audível no combate às alterações climáticas, por outro, enfrentou críticas pela perda de influência direta junto de superpotências e governos em conflito, como os executivos dos Estados Unidos da América ou de Israel.

A representação portuguesa costuma alternar entre o primeiro-ministro e o presidente da República. António José Seguro ainda não se estreou neste palco diplomático, onde Marcelo Rebelo de Sousa acompanhou de perto a eleição do seu «amigo de paróquia» como o primeiro português no topo das Nações Unidas.

Luís Montenegro discursará no dia 24 de setembro, naquela que é a sua segunda intervenção em representação de Portugal na ONU. A passagem por Nova Iorque ocorre a escassos meses de Portugal voltar a sentar-se à mesa do Conselho de Segurança como membro não-permanente, a partir de 1 de janeiro de 2027. O país, que concorreu sob o lema «Prevenção, Parceria, Proteção», já integrou este órgão executivo nos biénios 1979-1980, 1997-1998 e 2011-2012.

Entretanto, a antiga presidente chilena Michelle Bachelet desistiu da corrida à sucessão de Guterres após ter ficado em último lugar na primeira votação informal, agradecendo previamente o apoio dos presidentes do Brasil e do México. A perspetiva de uma mulher liderar a ONU ganha força: a costa-riquenha Rebeca Grynspan voltou a ser a candidata mais votada na terceira votação do Conselho de Segurança, seguida pela diplomata da Guiana, Carolyn Rodrigues-Birkett. Para ser eleito, qualquer candidato tem de obter o apoio de pelo menos nove países e não pode ser alvo de veto por parte dos membros permanentes.