Começou, em Nova Iorque, a 81.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas com o último discurso de António Guterres. Neste discurso de despedida, Guterres apelou a um uso responsável da Inteligência Artificial, lembrou as superpotências de que o seu poder não é tão «super» e apelou também à cooperação entre os países.
Sobre a IA, o histórico líder Xanana Gusmão tem manifestado uma forte preocupação face ao avanço da Inteligência Artificial, alertando que esta tecnologia pode constituir um risco direto para a soberania dos países. Já Pedro Sánchez avisou que o desenvolvimento da IA sem supervisão humana pode ter efeitos «devastadores» na sociedade e na estabilidade democrática.
O primeiro português a ocupar este cargo defendeu que «o poder da lei deve prevalecer sobre a lei do poder». «Esteja eu onde estiver, manterei a convicção de que a paz é possível», defendeu o secretário-geral que, assim que abandonar o cargo, regressará a Portugal.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, ao lado de Lula da Silva e de outros líderes mundiais, lançou uma iniciativa para reforçar a ONU. Estes líderes defendem que o multilateralismo é uma necessidade e, como tal, as instituições devem ser mais representativas. Em Nova Iorque, onde está presente para a 81.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, António Costa encontrou-se também com João Lourenço, o rosto da União Africana, e elogiou o «papel importante» de Angola na defesa da paz em África.
Os presidentes do Brasil e de Angola foram os dois primeiros a discursar, enquanto os portugueses António Costa e Luís Montenegro só vão subir ao púlpito na quinta-feira. O presidente do Brasil alertou para as «tentações hegemónicas» na América Latina por parte da «maior potência do mundo», numa alusão aos Estados Unidos, sublinhando que a região e o Brasil precisam de «parceiros com uma agenda positiva» e não de pressões externas.
O governante brasileiro, que foi o primeiro orador na Assembleia-Geral por tradição na ONU, criticou a «insensatez» das superpotências pelo seu papel nos conflitos em aberto e o «imobilismo» do Conselho de Segurança da ONU.


