Apesar das regras que tornaram mais difícil a vida dos imigrantes, estes continuam a escolher Portugal para viver. O Governo de Luís Montenegro pôs fim ao regime de Manifestação de Interesse (que permitia a regularização de estrangeiros que já estivessem a trabalhar em Portugal, mas tivessem entrado como turistas) e promoveu a expulsão e notificação de cidadãos em situação irregular. A sua posição baseia-se em associar a entrada no país à existência prévia de um contrato de trabalho. O Chega é a voz política que mais se opõe à imigração e defende quotas anuais de entrada baseadas nas necessidades económicas, o fim de acordos como a Autorização de Residência CPLP e o reforço dos controlos de fronteira.
Em Itália, Meloni quer colocar entraves aos alunos estrangeiros em cada turma. No final do ano de 2025, Portugal contava com 1,6 milhões de imigrantes no seu território, segundo dados da AIMA. Em comparação com o ano anterior, houve um aumento de 38 mil pessoas a viverem no país de forma legal.
A maioria destas pessoas está integrada na vida económica e social de Portugal. As nacionalidades estrangeiras com mais peso em Portugal são a brasileira, a angolana e a indiana. Estas pessoas vivem em cidades como Lisboa, Porto, Faro ou Setúbal. Em Sesimbra, concelho com 52 384 habitantes, as comunidades estrangeiras com mais peso são a do Brasil, a de Cabo Verde e a dos países do Leste da Europa (como é o caso da Ucrânia e da Moldávia).
Na capital portuguesa houve, há pouco mais de uma semana, uma marcha que celebrou a diversidade cultural existente na cidade. Entre os imigrantes, 55,6% são homens e 44,4% são mulheres. A maioria tem entre 18 e 44 anos. Portugal tem uma população de 11 424 031 habitantes.
Especialistas defendem que o crescimento da população imigrante continua a ser impulsionado pela necessidade de mão de obra em setores como a construção, o turismo, a agricultura, a restauração e os cuidados a idosos. Além de responderem às necessidades do mercado de trabalho, os imigrantes têm contribuído para atenuar o envelhecimento demográfico do país, reforçando a população ativa e a sustentabilidade dos serviços e da economia.
Ao mesmo tempo, o aumento da imigração mantém o tema no centro do debate político e social. Enquanto o Governo aposta num modelo de entrada mais controlado e dependente de contratos de trabalho prévios, organizações de apoio aos migrantes alertam para a necessidade de garantir processos de integração eficazes, acesso à habitação, à saúde e à educação. O desafio passa por conciliar o controlo das fronteiras com políticas que promovam a inclusão e respondam às necessidades do mercado de trabalho e da sociedade portuguesa.


