Sob o lema «Ibero-América perante os desafios da economia global: reforçar a colaboração público-privada» e com a presença de mais de 1 000 representantes empresariais, foi hoje inaugurado o XVI Encontro Empresarial Ibero-Americano. Na cerimónia intervieram o ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares; o Secretário-Geral Ibero-Americano, Andrés Allamand; o presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais (CEOE) e do Conselho de Empresários Ibero-Americanos (CEIB), Antonio Garamendi; e a secretária de Estado do Comércio, Amparo López Senovilla.
Durante a sessão de abertura, Garamendi afirmou que «é o momento da Ibero-América», uma região com mais de 600 milhões de pessoas, segurança alimentar, minerais críticos como o lítio e o cobre e um enorme potencial em energias renováveis, cujo peso no investimento direto estrangeiro mundial passou de 8% em 2015 para 12,8% em 2025. Na sua perspetiva, para aproveitar este potencial são necessários três fatores: confiança, cooperação e associativismo empresarial. «Não se trata apenas de regular menos, mas de regular melhor», afirmou, acrescentando que «quando um governo compreende que as empresas fazem parte da solução e reconhece as suas organizações como interlocutores legítimos, todo o país avança com passo firme».
A dois dias da realização da XXX Cimeira Ibero-Americana, para a qual serão encaminhadas as conclusões do encontro empresarial, o ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, destacou o papel da reunião de Chefes de Estado e de Governo como principal espaço de cooperação política da região. O ministro das Relações Exteriores recordou ainda que o Encontro deve servir para «transformar a relação de confiança entre os nossos países em mais investimento, mais inovação e mais oportunidades», apresentando propostas concretas aos Chefes de Estado e de Governo.
Por seu lado, o Secretário-Geral Ibero-Americano assinalou a profunda reconfiguração da atual ordem mundial e as suas consequências, tanto no plano político como no económico. «Para avançar, é necessário pôr de lado a ideologia e definir, com pragmatismo, um quadro estável para a relação entre os setores público e privado. Não há segredos: do lado do setor público, é fundamental garantir que os quadros regulamentares e a definição de funções não estejam sujeitos a constantes mudanças; do lado do setor privado, é imperativo reafirmar que o compromisso com o investimento, o empreendedorismo e a criação de emprego não dependerá da orientação política dos governos».
A secretária de Estado do Comércio, Amparo López Senovilla, sublinhou a importância de reforçar as alianças estratégicas e a colaboração público-privada para modernizar as economias ibero-americanas e enfrentar a transformação digital.
Uma agenda estruturada em torno de quatro eixos estratégicos
O Encontro, organizado pela Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB), em parceria com o Conselho de Empresários Ibero-Americanos (CEIB), estrutura o seu programa em torno de quatro eixos temáticos, que constituem um roteiro para abordar a competitividade e o desenvolvimento da região face aos desafios globais, analisando o contexto, os ativos e as capacidades estratégicas da região, a cooperação público-privada e as condições de igualdade e inclusão.
O programa prossegue amanhã e termina com um conversatório entre Chefes de Estado e de Governo, moderado pelo Secretário-Geral Ibero-Americano, Andrés Allamand, a entrega dos Prémios Ibero-Americanos de Qualidade e a passagem da presidência do CEIB para Anabel Gallardo, presidente do COHEP.
Um fórum consolidado no processo das Cimeiras
O XVI Encontro Empresarial Ibero-Americano realiza-se no âmbito da XXX Cimeira Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo, que terá lugar nos dias 4 e 5 de novembro, sob a Secretaria Pro Tempore de Espanha.
Desde 2016, o EEIB é a única instância do setor privado formalmente integrada no programa oficial das Cimeiras. Desde a sua criação, em 2005, consolidou-se como o principal espaço de diálogo entre empresas, governos, organizações internacionais, instituições financeiras, universidades e sociedade civil, dando voz à perspetiva empresarial nos debates sobre crescimento, investimento, emprego, produtividade e integração regional da Ibero-América.



