09/02/2026

António José Seguro sucede a Marcelo Rebelo de Sousa como o novo presidente da República de Portugal

O raiano, e apesar das tempestades, teve mais de 60% dos votos nas segundas eleições mais concorridas do último meio século

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Gráfico de proyección electoral con António José Seguro y André Ventura

O socialista António José Seguro é o presidente eleito da República de Portugal com a possibilidade de chegar aos 70%, segundo as sondagens à boca de urna. Natural de Penamacor, vila raiana que vitoriou a eleição do «filho da terra», o político de 63 anos foi ministro socialista, mas o seu perfil moderado permitiu-lhe obter apoios da esquerda e da direita. André Ventura terá 35,8% dos votos.

A democracia foi chamada a votar numa segunda volta, algo que já não acontecia há 40 anos. Todos os líderes políticos, da esquerda à direita, apelaram ao voto para que o futuro não fique na mão de outros. Um dos candidatos, André Ventura, esperou que todos tivessem votado e lamentou que não se tenha feito o que propôs: adiar as eleições por uma semana. Rui Tavares apelou ao voto «por aqueles que não puderam votar». José Luís Carneiro também expressou a sua solidariedade para com aqueles que perderam tudo devido às depressões Kristin ou Leonardo. O mau tempo não afastou os eleitores das urnas, que decidiram honrar o seu compromisso com Portugal e com a República.

Alguns concelhos só irão votar no dia 15 de fevereiro. Para quem está sem luz ou água, as eleições tornaram-se secundárias. O presidente cessante, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou que votar é sempre importante e que o seu sucessor terá um trabalho ainda mais difícil do que o seu, que enfrentou os grandes incêndios e a pandemia de COVID-19. Em Ereira (Montemor-o-Velho), os votos foram transportados de bote, na penumbra, pelos fuzileiros. A democracia funciona apesar das dificuldades.

Tanto o PAN como os portugueses que votaram no estrangeiro pediram mudanças para garantir o direito de voto a todos, possivelmente através do voto eletrónico. Ao contrário das legislativas, não é possível o voto postal e as pessoas são obrigadas a deslocar-se às embaixadas para votar.

O mandato presidencial tem a duração de 5 anos e todos os presidentes da democracia portuguesa cumpriram dois mandatos. Onze milhões de portugueses foram chamados para escolher, entre Seguro e Ventura, o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa. Apesar da situação climatérica adversa, a afluência às urnas foi enorme e a abstenção deverá fixar-se nos 49%.

As sondagens previam um vencedor antecipado, mas as tempestades fizeram da abstenção o pior inimigo. Esta foi a segunda eleição mais concorrida do último meio século. Até ao dia 15 de fevereiro, vários municípios mantêm-se em situação de contingência. O antigo presidente da República, Ramalho Eanes (que apoiou Seguro), considera a situação atual «muito má».