O relatório, elaborado por peritos europeus sobre o apagão que deixou Portugal e Espanha às escuras no dia 28 de abril do ano passado, aponta que o mesmo foi o «incidente mais grave e sem precedentes no sistema elétrico europeu nos últimos 20 anos».
Em menos de 2 minutos, o corte de energia espalhou-se por toda a Espanha e, posteriormente, a Portugal. Inicialmente, chegou-se a especular que poderia ter sido um ataque russo, mas ficou agora provado que uma sobrecarga na rede fez com que os dois países estivessem às escuras durante grande parte daquele dia, no qual apenas sabíamos o que se passava através dos rádios antigos.
O documento também não atribuiu culpas a ninguém, inclusive às energias renováveis (ao contrário do que alguns sugeriram). Portugal conseguiu repor a eletricidade em 12 horas e Espanha em 16 horas, contando com o apoio dos países vizinhos. Este apagão foi provocado por falhas em cascata e o relatório recomenda o reforço da rede elétrica ibérica.
Entre as recomendações, os especialistas defenderam o reforço do controlo de tensão e da coordenação entre produção, distribuição e transporte de eletricidade. A maioria das regras propostas já está implementada ou em fase de implementação. Portugal pretende investir em mais centrais com regime de arranque autónomo (conhecido como black-start), o que ajudaria a repor a energia ainda mais rapidamente em caso de um novo incidente. Após este apagão total, os dois países devem começar a testar cenários mais extremos, como os provocados por tempestades.
Em Portugal, neste mês de fevereiro, as energias renováveis contribuíram para que o preço da eletricidade fosse mais baixo em comparação com o resto da Europa. Portugal foi o terceiro país da UE que gerou mais eletricidade a partir de fontes renováveis em 2025, ficando apenas atrás da Dinamarca e da Áustria.


