06/04/2025

Escolas ibéricas não têm os meios necessários para ajudar na integração de estudantes migrantes

Na última década o número de estudantes migrantes subiram 160% nas escolas mas muitos não têm qualquer conhecimento das línguas dos territórios que os recebem

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A falta de meios está a piorar a adaptação mais rápida de milhares de alunos estrangeiros tanto em Portugal como em Espanha. Muitos são os problemas que podemos apontar às escolas, especialmente a falta de professores (problema sistemático todos os anos), mas com cada vez mais imigrantes no país é necessário dar uma resposta adequada a estes alunos, que quando chegam não têm os conhecimentos da língua de acolhimento necessários para acompanhar a vida escolar. Pede-se políticas nacionais para o acolhimento dos alunos migrantes.

Em Portugal, muitas escolas apostam no reforço das aulas de português para os alunos vindos de fora da CPLP mas ainda falta fazer mais. Estas iniciáticas costumam estar nas mãos das diferentes autarquias, como é o caso do Seixal (que faz parte da Área Metropolitana de Lisboa), que está a fazer um levantamento das necessidades dos migrantes para poderem criar um plano de ação específico para ajudar numa integração melhor.No último verão todos os que seguiram os noticiários portugueses viram as filas de estudantes emigrantes a tentarem regularizar a sua situação junto do antigo SEF para poderem começar um novo ano lectivo sem problemas.

O número de estudantes aumentou, mas não aconteceu o mesmo com os meios disponíveis (não só materiais mas também humanos). O governo português pretende contratar mediadores linguísticos e culturais. Para além de rever a disciplina de Português Língua Não Materna, com a criação de um nível zero para os alunos que não tenham qualquer tipo de qualificação nesta língua.O número destes alunos aumentou exponencialmente na última década nos dois lados da Raia.

No lado de cá, desde 2018, o número de estudantes migrantes nas escolas portuguesas aumentou 160%.A Federação de Ensino das Comissões de Trabalhadores esteve em Lisboa para apresentar aos seus colegas lusos o que se passa nas escolas espanholas e como têm ajudado a integrar alunos migrantes e refugiados. Em Portugal, organizações sindicais como a Federação Nacional dos Professores também alertam para o mesmo problema.Muitos destes estudantes, se não tiverem ajuda, acabam por não concluir o ensino escolar obrigatório.

Em 2023, Espanha recebeu mais de 160 mil pedidos de asilo. Desde então, milhares de pessoas têm chegado todos os meses ao país (de forma legal mas também ilegal) com filhos que são colocados na escola pública. Ceuta e as ilhas Canárias são dois dos pintos em Espanha que enfrentam uma maior pressão migratória. Se olharmos para o lado do português, tirando as Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, Braga é um lugar com uma grande pressão de estudantes imigrantes nas suas instituições de ensino.

Existem municípios, dentro do território ibérico, onde podemos encontrar mais de 122 nacionalidades a estudarem nas suas instituições de trabalho ensino.A escola pública muitas vezes não consegue responder aos inúmeros pedidos. Em Portugal, em várias escolas já existem mais alunos de origem estrangeira do que filhos de nacionais.