Lula da Silva inicia agenda oficial em Portugal com encontros com Marcelo e Costa

Primeiro dia marcado pela deposição de flores a Camões e a Cimeira Luso Brasileira

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A Praça do Império, junto ao Mosteiro dos Jerónimos, vestiu-se de gala para receber Lula da Silva e a comitiva (8 são ministros) que o acompanha a esta visita a território ibérico. A presença em Belém foi acompanhada por um forte dispositivo de segurança. No topo do palanque estava o presidente da república, Marcelo Rebelo de Sousa (sorridente e a acenar para o público), o responsável por começar a agenda oficial de Lula em Portugal.

A chegada do casal presidencial brasileiro foi assinalada efusivamente pelo homologo português. Os hinos dos dois países foram acompanhados por salvas de canhão e uma guarda de honra composta pelos três ramos das Forças Armadas portuguesas. Os dois políticos assistiram a uma parada militar encabeçada pela banda do exército. Após este primeiro momento houve uma visita ao Mosteiro dos Jerónimos onde foi colocada uma coroa de flores no túmulo de Camões (a entrega do prémio que tem o nome do maior escritor da língua portuguesa acontecerá na segunda-feira). Portugal e o Brasil são dois países fortemente unidos pelas relações históricas, humanas e culturais.

Esta foi uma visita marcada pela pacatez e pela importância que tem na retoma das relações. Um dos aspetos que deverá sair desta estadia de Portugal é a ajuda do governo de Lisboa (e de Madrid) para que seja possível, finalmente, assinar o acordo entre o Mercosur e a União Europeia. Em Belém, um vasto grupo de emigrantes brasileiros esteve presente e lembraram uma defesa conjunta de valores que tanto fazem parte dos ideais de abril como da forma de atuar de Lula da Silva. Os brasileiros acreditam que nestes 100 dias foi feito mais trabalho do que em todo o governo de Bolsonaro. Após o momento nos Jerónimos, estes populares foram para a frente do Palácio de Belém, onde Lula e Janja tiveram uma audiência privada com Marcelo. Nessa reunião, Lula da Silva condecorou Marcelo Rebelo de Sousa com a Ordem do Cruzeiro do Sul, uma comenda que o Brasil atribui a personalidades estrangeiras.

O caminho entre os dois monumentos foi feito por uma guarda a cavalo de puros-sangues lusitanos de pelo branco e castanho. Aspeto curioso, no Brasil também se cria esta raça de cavalos tão associada a Portugal. Antes desta cerimónia assinaram o livro de presenças e a primeira-dama encantou-se com a decoração do palácio. Não existiram manifestantes bolsonaristas no local, mas estes já anunciaram que vão fazer ouvir a sua voz. As relações luso-brasileiras com esta visita oficial voltaram a um bom rumo após uma “travessia no deserto” protagonizada por Jair Bolsonaro. Esta é uma visita simbólica que demonstra a volta do Brasil ao palco mundial. Em 100 dias de governo, esta é a sexta viagem de Lula e a primeira a um país europeu. Ainda antes de tomar posse, Lula da Silva e a esposa tinham estado em Portugal depois de terem estado presentes na COP do Egito.

Uma visita oficial dez anos depois de Dilma

A última visita oficial de um chefe de estado brasileiro foi há 10 anos, com Dilma Rousseff. A visita de Lula foi alvo de alguma contestação, especialmente devido às declarações que o presidente brasileiro prestou sobre a guerra na Ucrânia, mas já foi anunciado que Celso Amorim irá a Kiev. O presidente brasileiro, uma das 100 pessoas mais influentes do mundo para a revista Times, pretende encabeçar uma terceira via para a paz. Lula não vai participar nas comemorações oficiais do 25 de Abril, algo que para os dois presidentes é um não assunto. Na conferencia de imprensa dada, Lula prometeu mais investimento brasileiro em Portugal. Antes do encontro entre os ministros houve um almoço com António Costa no CCB, local onde aconteceu a Cimeira. Em relação á última Cimeira Luso-Brasileira (bem ao estilo do que se faz na Hispano-Lusa), aconteceu em novembro de 2016 no governo de Temer. Caso tivesse havido estas Cimeiras nos últimos 6 anos poderiam ter sido assinados até 66 acordos.

Na volta desta Cimeira, assinaram-se acordos (13) em áreas tão diversas como a economia ou o combate ao crime violento e organizado. No nível educativo, ficou aprovada a equivalência entre os dois países nos níveis de estudos básicos e secundários. Isto vai ajudar a uma melhor integração escolar. Em São Paulo será criada a Escola Portuguesa. As cartas de condução também serão reconhecidas nos dois países.

Os executivos de Lisboa e de Brasília tão aprovaram a assinatura de um memorando no domínio da eficiência energética, como é o caso do armazenamento da energia e do hidrogénio. Tudo para se alcançar uma transição energética sustentável. A Agência Espacial Portuguesa e a Agência Espacial Brasileira vão reforçar a cooperação na investigação para a monitorização do território.

Também foi assinada a carta de Lisboa, para a saúde; um memorando de entendimento entre o Turismo de Portugal e a Embratur e um protocolo de cooperação entre a Agência Lusa e a EBC (Empresa Brasil de Comunicações). Estas duas agências vão cooperar na produção noticiosa. Tal como já anunciado, os ministros da Cultura de Portugal e do Brasil assinam um memorando onde se comprometeram para continuar a promover a produção cinematográfica (e audiovisual) dos dois Estados.

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