Congresso «Razones para quedarnos II» em Zamora teve representações de autoridades luso-espanholas

Francesc Boya relembrou que Espanha tem muitas ruralidades e que "cada território necessita de uma receita feita a medida"

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O congresso «Razones para quedarnos II», organizado pelo La Opinión-El Correo de Zamora, discutiu sobre o despovoamento existente nas zonas de fronteira e em especial na Comunidade Autónoma de Castela e Leão. Esta conversa, onde participaram membros dos Governos de Espanha e também de Portugal e da administração local, aconteceu no Teatro Ramos Carrión e defendeu maiores relações de proximidade e incentivos para parar o despovoamento tanto de Portugal como de Espanha. As autoridades presentes neste encontro reuniram-se para abordar qual é o conceito de sociedades e de países para o qual queremos avançar.

Francisco Igea, vice-presidente da Junta, reforçou que é necessária fazer uma revolução verde e que o foco da conversa deveria não ser as razões para ficar mas razões para ir viver no interior. Zamora, com 94 mil quilómetros quadrados de superfície, é considerado como um dos pulmões de Espanha e as energias renováveis podem ser um dos seus principais motores de desenvolvimento. «Queremos gente que pense fora da caixa. Todos os grandes países do mundo conseguiram chegar ao ponto onde estão devido às políticas migratórias que adoptaram», disse o vice-presidente. Para Igea, o problema da despopulação é o mais importante que Espanha e a Europa enfrentam.

Mais investimentos, como é o caso da auto-estrada que liga a região a Portugal, podem fazer com que a população se fixe em Zamora. Os jovens e às mulheres são os primeiros a partir dos povoados e para fazer frente a esta situação o Governo espanhol vai financiar com bolsas 200 universitários para trabalharem nos territórios rurais. Exemplo semelhante ao que está a ser seguido por Bragança, onde são oferecidas às famílias condições atractivas para viverem no concelho.

Marisol López del Estal, directora do La Opinión-Correo de Zamora, que foi a moderadora desta conversa, relembrou a condição de urgência em que Zamora se encontra e apoiou que a baixa de impostos podem ajudar a atrair mais mão-de-obra e empresas para a região. «Não se pode falar de despopulação sem se discutir as medidas necessárias para a conter», disse López del Estal sobre o tema em discussão.

Francisco José Requejo, o presidente da Diputacion, reclamou mais recursos para Zamora e defendeu que a província deveria ter uma fiscalidade diferenciada. Também reforçou que se deveria dar um maior foco às políticas de relevo geracional.

O secretário-geral para o desenvolvimento demográfico, Francesc Boya, relembrou que Espanha tem muitas ruralidades e que «cada território necessita de uma receita feita a medida». Acções pensadas de propósito para cada região é uma forma de agir também defendida pelo Governo português. Este trabalho na fronteira, como reforça Boya, tem que ser feito com os apoios das Deputaciones para que os territórios deixem de se sentir esquecidos pelo poder central. Uma das medidas do plano de recuperação está num plano de sustentabilidade turística pensado em conjunto com Portugal. «Devemos repensar o turismo não só para ser mais sustentável mas também para procurar novos mercados», explicou Boya.

A relação transfronteiriça com Portugal foi um dos temas chave desta conversa onde se falou sobre o que deve ser feito para dar as melhores condições às comunidades que vivem na fronteira e que têm projectos em comum e que são desenvolvidos no POCTEP, plano que o Governo português pretende reforçar. «Queremos alocar ferramentas para este desenvolvimento comum transfronteiriço», afirmou a secretária de estado que quer mais projectos diferenciadores para um território onde todos os actores envolvidos são importantes.

A secretária de estado para a Valorização do Interior, Isabel Ferreira, defendeu que a valorização da fronteira deve ser feita com todos os instrumentos disponíveis, tanto a nível financeiro como político. «Ao desafio demográfico devemos responder com um maior envolvimento local», contou Isabel Ferreira que também indicou que o Governo de Portugal apoiou os territórios de fronteira com mais de 5 mil milhões de euros (o que representa 20 mil postos de trabalho na fronteira e 6 mil formandos).

O secretário-geral da FRAH, José Luís Gonzalez, terminou este evento defendendo que «as razões para ficar são todas. Estamos num momento histórico onde estamos a construir uma nova Europa. Temos que trabalhar numa lógica europeia mas em especial com Portugal».

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