Portugal em suspenso até nova recontagem

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Depois da ida às urnas, todos achávamos que o próximo passo seria a formação de um futuro governo e a respectiva tomada de posse. Só que devido a um erro, os emigrantes portugueses na Europa terão que votar novamente. Nos dias 26 e 27 de Março estas pessoas, que dão dois deputados a Assembleia da República, terão que votar novamente porque os seus boletins foram misturados com outros e estes, tal como a carne estragada, não pode estar em contacto com alimentos saudáveis. Pelo menos é o que diz o Gordon Ramsey.

Sobre esta situação, António Costa pediu desculpa pela situação mas o mal (mesmo que pareça menor) está feito. Pelo menos o Costa ainda vai ficar mais tempo no poder. Já é possível mandar entregar em São Bento um certificado para o nosso recordista governamental? Ficaremos em suspenso mais uns meses. Se isto fosse futsal, seriamos obrigados a recorrer a um prolongamento. Esta decisão do Tribunal Constitucional é vista como uma garantia que a democracia em Portugal está a funcionar mas pode levar a que a abstenção (um dos grandes males nacionais) aumente. Se tivemos problemas em Janeiro, com vários portugueses a queixarem-se que não conseguiam votar presencialmente nas embaixadas, como será agora?

O Marcelo, que ao receber os bicampeões europeus decidiu falar sobre o PRR, já defendeu que estamos a necessitar de fazer algumas mudanças na lei eleitoral. Caso haja mudanças pelo menos que a mesma aconteça antes das próximas eleições. O que em Portugal pode ser já no próximo ano, já que desde 2020 estamos a votar a cada seis meses. Voltando às eleições portuguesas, esta nova necessidade de ir a votos leva a que o próximo governo apenas tome posse em Abril.

Haverá uma pausa na política nacional mas a nível internacional a última semana esteve bem quente com a possibilidade de uma guerra na Ucrânia. No momento em que este artigo está a ser escrito caiu a possibilidade da invasão russa mas se algo que aprendemos com a pandemia é que nada é certo. Portugal é o exemplo perfeito. Somos um dos países mais pacatos do mundo mas quase tivemos o nosso próprio massacre numa faculdade em Lisboa e vários ataques informáticos a grandes empresas e laboratórios. Este atentado terrorista (a lei Portugal enquadra desta forma) não aconteceu devido a uma parceria entre a polícia portuguesa e o FBI. A história é cíclica e estamos nos novos anos 20. Esperemos que depois da pandemia não tenhamos um conflito armado de larga escala. Que as armas fiquem guardadas pois a guerra nunca trouxe nada de bom.

Em relação ao próximo executivo apenas sabemos que será mais pequeno mas só deverá ser conhecido poucos dias antes da tomada de posse. Parece que é mais fácil formar uma equipa de futebol ou o elenco para a próxima edição do Big Brother Famosos do que escolher os homens e as mulheres que vão acompanhar António Costa nesta viagem. O primeiro-ministro tem estado em reuniões com todos os partidos (exceptuando o Chega) e grupos sociais para formar uma ideia do que vai ser necessário fazer nos próximos 4 anos. Um dos grandes objetivos vai ser cativar os jovens. Esperemos que Portugal torne-se num país amigável para as gerações mais novas e que querem viver na terra dos pais e dos avós.

O próximo orçamento de estado deverá estar pronto em Julho. Com mais um atraso, só tenho vontade de perguntar quando chega o primeiro cheque de Bruxelas? Se vamos ficar com a nossa vida política em suspenso, o mesmo não está a acontecer com a saúde. A vida continua e aos poucos estamos a sair da pandemia para a endemia. Os especialistas levantam a possibilidade do fim das limitações em bares e discotecas, a apresentação de certificado para entrar em restaurantes, o teletrabalho vai deixar de ser obrigatório ou as máscaras.

Poderá ser possível seguir o que já foi feito em Espanha e só colocar a máscara em transportes públicos ou em locais sensíveis (como é o caso dos lares e dos hospitais). Com uma pausa na luta contra a Covid-19 vamos voltar a abraçar a cultura. Que tal ir ao cinema ver O Homem que Matou Dom Quixote, de Terry Gilliam? A cultura é vista por muitos como um privilégio dos mais ricos, novos e instruídos. A televisão e os telemóveis oferecem a necessidade de cultura que os portugueses necessitam. Já uma ida a um museu ou ler um livro é visto como uma riqueza. No último ano, 61% dos portugueses afirmaram que não leram um livro.

A incidência nos próximos dois meses deverá ser muito baixa, o que vai fazer com que as portas comecem a ser abertas. O que vai ser bom tanto para a nossa saúde mental como para a economia nacional. O ouro e a prata está a voltar a ser vendida. Três milhões de peças foram certificadas muito devido a volta dos casamentos, baptizados e dos turistas que gostam de voltar para os respectivos países com peças de filigrana.

Portugal ficará em suspenso até a nova recontagem no círculo Europeu mas a verdade é que o mundo gira.

 

Andreia Rodrigues

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