29/11/2025

‘Danciberia 2025’ reforça os laços culturais entre Portugal e Andaluzia através das artes do movimento

A portuguesa Elizabete Francisca e a andaluza Carmela Muñoz foram as artistas convidadas para a 5ª edição do encontro de dança transfronteiriço, celebrado em Sevilha

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Artistas en una actuación de danza contemporánea en Danciberia 2025

Durante os dias 25 e 26 de setembro, o Centro de Iniciativas Culturais da Universidade de Sevilha (CICUS) recebeu a 5ª edição de ‘Danciberia’, um encontro de dança transfronteiriço que celebra o diálogo artístico entre Portugal e Espanha. Este ano, o evento contou com a participação da bailarina, performer e atriz portuguesa Elizabete Francisca (Joanesburgo, 1985) e da coreógrafa, bailarina e investigadora andaluza Carmela Muñoz (Granada, 1988). Mantendo o formato habitual, no primeiro dia, ambas as artistas dinamizaram workshops e, no segundo, apresentaram os seus respetivos espetáculos: ‘A besta, as luas’ e ‘Estudo sobre a histeria’ (do original em espanhol, ‘Estudio sobre la histeria’).

Organizado pela Associação Andaluza de Companhias e Profissionais da Dança (PAD), em colaboração com o CICUS e a associação portuguesa Rede More, o ‘Danciberia’ tem como objetivo não só constituir uma plataforma de visibilidade e divulgação do talento andaluz, mas também fomentar o intercâmbio artístico entre as companhias de dança de ambos os lados da Raia. “Queremos aproximar-nos e criar oportunidades tanto para as companhias portuguesas, que assim podem apresentar o seu trabalho na Andaluzia, como para as companhias andaluzas, que encontram aqui um mercado alternativo fora da região”, explica Adrián Yánez Romero, gerente da PAD.

‘Danciberia’, uma solução para a escassez de intercâmbio cultural ibérico

Da dança contemporânea ao flamenco, passando pela dança urbana e por outras linguagens da arte do movimento, o ‘Danciberia’ emerge como uma plataforma de visibilidade para talentos andaluzes e portugueses. Anualmente, o programa integra duas peças (uma lusa e outra andaluza) de pequeno ou médio formato e adaptadas a espaços não convencionais. Além disso, na véspera do espetáculo realizam-se dois workshops, conduzidos por cada uma das companhias.

Nascido em 2021, o ‘Danciberia’ procura responder a uma carência contínua no panorama cultural ibérico: o escasso intercâmbio artístico entre Espanha e Portugal. “Queríamos criar um projeto transfronteiriço que favorecesse o vínculo entre os dois países através da dança”, explica Camille Cartier, membro da direção da PAD.

Para Camille, “é curioso ver como muitas companhias portuguesas apresentam os seus trabalhos em França ou na Bélgica, mas quase nunca na vizinha Espanha. E o mesmo acontece no sentido inverso”. No caso de Andaluzia, esta situação torna-se ainda mais evidente e paradoxal; apesar da clara proximidade geográfica com o Algarve, “persiste uma ausência de fluxo artístico”.

Não obstante, a reduzida oferta cultural entre os dois lados da fronteira não se traduz, em momento algum, num estado de indiferença mútua entre ambos os países ibéricos. Pelo contrário, Adrián Yáñez constata um interesse cada vez maior, não apenas por parte do público – que identifica como fiel e em contínuo crescimento –, mas também por parte dos profissionais de ambos os territórios, que demonstram curiosidade em “saber como se trabalha no país vizinho, tanto do ponto de vista artístico como da gestão dos projetos”.

Esta inspiração recíproca é igualmente percecionada por Carmela Muñoz. Embora reconheça o aumento da demanda, acredita que “ainda não se deu verdadeiramente esse transbordar das fronteiras, esse intercâmbio pleno entre os diferentes tecidos artísticos”. A própria artista andaluza admite não estar familiarizada com o panorama cultural português e, nesse sentido, sublinha a importância de iniciativas como o ‘Danciberia’ para colmatar essas lacunas.