Espanha sela aliança empresarial com Angola sem mencionar a CPLP nem a Ibero-américa

O presidente angolano deseja que essa prioridade estabelecida por Espanha se traduza num maior dinamismo das relações

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O presidente do governo, Pedro Sánchez, visitou Angola, o primeiro destino da sua digressão africana que se inicia hoje e que o levará também ao Senegal, dois países prioritários no plano de acção exterior recentemente apresentado. O “Foco África 2023”, com o objectivo de reforçar a colaboração com os governos africanos e impulsionar a presença de Espanha em África através de uma associação estratégica no continente.

Apesar de existirem espaços geopolíticos de referência de Angola e Espanha, como é, respectivamente, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a Comunidade Ibero-Americana de Nações. Estas questões não foram discutidas, pelo menos publicamente, nas conferências de imprensa ou na Declaração Conjunta. É surpreendente dado que a próxima Cimeira da CPLP terá lugar no dia 17 de Julho em Angola, onde a Espanha se tornará membro observador associado; assim como é provável que Angola tenha interesse em participar num sistema ibero-americano alargado, cuja próxima Cimeira será a 21 de Abril, em Andorra. Tal poderá dever-se às suspeitas suscitadas, em alguns sectores em Portugal, das relações directas entre Espanha e Angola.

No início da sua visita, há muito esperada desde a última feita por Felipe González em 1992, o presidente explicou que Angola é um país prioritário para Espanha porque oferece “grandes oportunidades” às empresas espanholas e tem grande potencial de crescimento. Sánchez agradeceu também que este país tenha em Espanha um parceiro preferencial para o programa de diversificação da sua economia, há anos dependente do petróleo.

Assim, e com o propósito de reconstruir as nossas sociedades fortemente impactadas pelos efeitos da crise sanitária, o Presidente Sánchez expressou o desejo de Espanha em contribuir e apostar decisivamente para o desenvolvimento sustentável e inclusivo da região, para sua integração regional, para os seus mercados na economia global, e para o estabelecimento de novos laços e associações com países importantes do continente, como é o caso de Angola.

Num encontro empresarial celebrado em Luanda, o presidente expôs os pontos fortes e a “grande experiência” internacional das empresas espanholas nos domínios dos transportes, infra-estruturas, engenharia ou energia, que podem contribuir para a diversificação e modernização da economia angolana. Nos quase 35 anos que Espanha leva a apoiar Angola com financiamentos bilaterais, explicou o presidente, as empresas espanholas têm participado no desenvolvimento económico e social do país “e vamos continuar a fazê-lo”, disse. Neste sentido, Sánchez anunciou que o Governo de Espanha vai alargar a cobertura do seguro oficial de exportação para Angola em 200 milhões de euros através do CESCE, o que resultará em investimentos mais produtivos por parte das empresas espanholas neste país.

Depois do fórum empresarial, Sánchez manteve um encontro com o presidente angolano, João Manuel Gonçalves Lourenço, no qual foram assinados um acordo de Transporte Aéreo e três novos memorandos de entendimento para aprofundar a cooperação na agricultura, pesca e indústria e acordou-se também a criação de uma empresa espanhola para o Observatório de investimento angolano. Ambos emitiram uma declaração conjunta em que manifestaram a vontade de desenvolver um diálogo permanente e o desejo de estreitar os laços entre o povo angolano e o espanhol. O presidente angolano pretende que a prioridade estabelecida pela Espanha se traduza num maior dinamismo nas relações entre os dois países e na competitividade da economia do país africano lusófono.

Sánchez reconheceu o esforço do Governo angolano perante a crise sanitária e manifestou a vontade de Espanha em fazer com que as vacinas cheguem a todos, através das acções multilaterais desenvolvidas, principalmente através da COVAX, na qual a Espanha participa activamente. Por último, o presidente sublinhou a importância de Angola como actor estratégico na região, pelo seu empenho na paz e estabilidade e pela sua influência na obtenção de soluções pacíficas e de diálogo para os conflitos no continente.

A última jornada finalizou com uma visita do presidente do governo a subestação eléctrica da ELECNOR, empresa espanhola com mais de 30 anos de presença em Angola. Sánchez visitou também o Colégio Dom Bosco Salesianos, no bairro da Lixeira, em Luanda, dirigido pelo padre espanhol Manuel Ordóñez e cujas actividades se dirigem especialmente à alfabetização, à formação profissional e ao atendimento de menores em situação de risco.

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